Re: Proyectos en ganadería lecheraCaros amigos,
Produzir leite é uma atividade trabalhosa, mas que ao contrário do que a maioria daqueles envolvidos com tal atividade diria, pode ser muito lucrativo; aliás, uma das mais lucrativas atividades do agronegócio!
A primeira coisa que devemos nos dar conta quando nos decidimos pela produção leiteira, é que nos encontramos em uma região TROPICAL, e com excessão daqueles que se encontram em regiões de altitude elevada, com climas amenos, a nossa realidade é de um clima quente e úmido, com uma estação seca por vezes bem definida e algo prolongada.
A primeira constatação que fazemos é que nestas regiões, animais especializados na produção leiteira, como holandeses, pardo-suiços e gerseys para expressar o máximo de suas capacidades produtivas, demandam uma "adaptação" do ambiente, de forma a lhes proporcionar conforto térmico, alimentos de alta qualidade e nível sanitário impecável em
termos de ecto e endoparasitas; todo produtor sabe disso e sabe como resolver, porém o problema é o alto custo para se atingir isto, mas que uma vez atingido resulta em alta produtividade, mas a um custo também muito alto, o que faz com que a LUCRATIVIDADE seja uma margem bem pequena, ganhando-se no volume de produção, mas se algum imprevisto ocorrer... lá se vai todo o lucro e o negócio se inviabiliza!
Mas se eu havia afirmado que poderia ser uma atividade bem lucrativa, como pode ser com o exposto acima?
Simples, ao invés de adaptarmos o ambiente ao animal ( extremamente caro e difícil manutenção ), utilizamos um animal mais adaptado às condições de clima, alimento e parasitas: a fêmea F1 leiteira, resultante do cruzamento da raça mais provada e testada para leite, que é o holandês ( holstein ) com a raça mais adaptada aos trópicos, o zebu ( preferencialmente o gir ou o guzerá leiteiros ). Este "sistema" ainda apresenta uma vantagem extra, que são as crias desta fêmea, que mostram grande aptidão para produção de carne, caso se faça um acasalamento com touros zebus especializados para tal ( nelore, guzerá, brahman, tabapuã, etc ), gerando uma grande fonte de receita além do leite, já que esta bezerrada é muito valorizada pelos invernistas compradores de bezerros.
O único problema deste sistema é a oferta de fêmeas F1 de reposição, já que as tentativas de se fazer na própria propriedade as novilhas de reposição, voltando o holandês sobre a F1 e depois voltando o zebu nesta fêmea 3/4, não resultam em produtos de relação custo/benefício tão bom quanto as F1; hora se ganha no leite e se perde nos custos com animais de grau de sangue acima de 50% holandês, ou se tem um animal mais rústico e de menor custo de manutenção mas com menor produção leiteira ( grau de sangue zebu maior que 50% ).
Deve-se haver uma especialização na cadeia produtiva, como é feito na suinocultura ou na avicultura ( frango ), onde há o produtor especialista em produzir as matrizes de reposição ( F1 ).
Por que este sistema é mais lucrativo? Porque se produz leite a pasto, a forma mais barata de se nutrir um rebanho, com pouca ou nenhuma suplementação ( a não ser no período seco quando as forrageiras tropicais não produzem bem ), economia no manejo sanitário já que os animais são mais resistentes e o fator climático não é limitante.
É verdade que estes animais produzem menos leite, algo em torno de até 4500 kg por lactação ( potencial, mas há animais produzindo até 15000kg/lactação ) isto somente a pasto, com pequena suplementação, o que faz com que a lucratividade por área seja bem interessante - devemos parar de nos preocuparmos com produções por animal, e sim com produções por área, kgs de leite por ha ( hectare ) por ano!
Temos de ter pastos de qualidade, qualidade genética dos animais e manejo correto para alcançarmos estas metas! Mas estes procedimentos são muito mais fáceis e baratos de se implementar, do que se adaptar o ambiente ao animal, além da LUCRATIVIDADE ser bem maior ( ou seja a relação do que se investe, com o retorno; o dinheiro que vai para o bolso no fim do mês ).
Espero ter contribuído de alguma forma com os companheiros produtores ou que desejam se tornar produtores.
Cordialmente,
Hélio Cabral Jr