Re: Pastos para ForrajeCaro Alvaro,
Não sei se entendi tudo o que você escreveu, assim sendo, me corrija se for necessário.
Primeiro vamos deixar claro que pasto Toledo é uma cultivar de
Brachiaria brizantha!
Segundo ponto: não vejo nenhum motivo para se fazer o consórcio brizantha/dictioneura. O desenvolvimento da dictioneura é mais lento que o da
brizantha e com toda certeza será completamente abafada por ela. Além disso o manejo da dictioneura é diferente do da
brizantha assim como sua capacidade de suporte ( produção de MS ). Ou seja, este consorcio não tem o menor sentido.
O local onde você irá formar esta pastagem é sujeito a encharcamento? Fica água empossada por mais de 5 dias? Se a resposta for negativa não há motivo para usar outro pasto além do Toledo.
Faça uma análise do solo, para saber como o mesmo está quimicamente. O pasto Toledo é bastante produtivo em
termos de MS e com boa qualidade, mas é exigente em
termos de fertilidade de solo para expressar seu potencial. De forma geral, o solo em que irá ser implantado deve ter uma saturação de bases, o V da análise de solo, superior a 60 porcento se não chegar a tanto deve se pensar em fazer uma calagem ( se for incorporado ao solo - aração - pode ser usado calcário se for fazer em cobertura o ideal é se utilizar silicato de cálcio - agrosilicio/escória de alto-forno de siderurgica - pois o mesmo tem quase 2,5 vezes mais capacidade de se movimentar no solo que o calcário, ainda mais se considerarmos que seu terreno é argiloso ).
O ideal é no plantio, se colocar junto com a semente, cerca de 300kg/ha de fosfato super simples e 200 kg/ha de fosfato reativo arad ou daoui levando em consideração que normalmente os solos são pobres em P. Se a análise mostrar uma realidade diferente, deverá ser recalculada esta quantidade de P.
O plantio deve ser feito com 10 kg de sementes com VC - valor cultural - de 32 porcento. Aqui no Brasil como semente é algo que barateou muito nos últimos anos, eu normalmente recomendo 20kg de sementes com 32 de VC, ou seja, 640 pontos de VC por ha - 32 x 20 = 640 -. Com isto a pastagem se forma densa e uniforme e se as condições edafoclimaticas forem boas, com 60 dias de germinação já se poderá entrar com uma novilhada leve, de mais ou menos 300kg de peso vivo para se fazer um primeiro pastejo de rebaixamento neste pasto, visando estimular sua rebrota basal, de forma a engrossar as touceiras. Deverá ser usado um número grande de animais para que façam o rebaixamento de forma uniforme e rápida. Não se preocupe com plantas pisoteadas e/ou arrancadas, pois as mesmas não farão falta. Claro que os animais NÃO poderam efetuar este pastejo inicial se o solo estiver muito úmido, pois aí sim poderá prejudicar o pasto.
Trinta dias após a germinação deve se fazer uma adubação com N em cobertura. Se houver necessidade junto com o N deverá ser lançado o K.
A melhor forma de explorar este pasto é se utilizando o sistema de pastejo rotacionado. Mas nada impede que o mesmo seja usado no sistema de lotação contínua mas acredito que seu melhor aproveitamento se dará no sistema rotacionado.
Utilizar o glyfosato para dessecar a cobertura vegetal original é uma prática interessante, pois evitará a concorrência com o pasto Toledo em sua fase inicial de desenvolvimento após este período inicial e se o manejo for correto, será muito difícil alguma maleza conseguir se instalar.
O plantio poderá ser feito em sulcos ou utilizando plantadeiras manuais. Se lhe fosse possível passar o arado e a grade niveladora, poderia ser feito a lanço juntamente com o P. Neste caso, após se lançar as sementes ao solo gradeado, se passaria com o trator ou com a grade bem aberta ou arrastando correntes ou galhos de árvores mais pesados para se enterrar as sementes de 2 a 4cm de profundidade. No caso de sulcos o espaçamento é de 20 ou 25cm e neste caso ou das plantadeiras manuais o P vai junto com a semente.
Alguma duvida, por favor me avise.
Cordialmente,
Helio Cabral Jr