Re: Pasto Mulato - ¿Funciona en el trópico ?Inacreditável!!!
Como é possível alguém que se diz engenheiro agrônomo escrever em tão curto espaço tantas bobagens e absurdos juntos?
Afirmar que a maior digestibilidade é devida a isoacido que aumenta a eficiência das bactérias ruminais na absorção das proteinas???
A não ser que este senhor tenha feito agronomia em Marte... porque aqui na Terra, os microorganismos ruminais transformam NNP ( nitrogênio não proteico ) mais energia de carboidratos estruturais ( celulose, hemicelulose e pectina ) e não estruturais em proteina biologica de alto valor ( os próprios microorganismos são essa proteina ).
Afirmar que as sementes produzidas são inferteis só porque se trata de um híbrido? Esse senhor nem se deu ao trabalho de lêr artigos sobre esta
Brachiaria, que é uma grande produtora de sementes... e viáveis!!! No mínimo tão descuidado profissional deve ter tentado plantar sementes recém colhidas, que como qualquer um sabe sofrem de dormência fisiológica, o que impede sua germinação antes de um período mínimo de tempo ( fenômeno este caracteristico das demais forrageiras e que pode ser contornado por processos físicos e/ou químicos ).
Afirmar também que não lignifica como os outros pastos? Lignifica sim como qualquer outro pasto decumbente, apresentando apenas rítmo de lignificação mais lento do que pastos cespitosos, por uma propriedade puramente morfogênica, já que plantas de crescimento ereto necessitam maior lignificação para manter sua arquitetura.
Agora indo um pouco além destas extravagantes bobagens, devo afirmar que é sim um pasto bem produtivo, porém apresenta o sério inconveniente de apresentar alto índice de material senescente ( morto ), como ocorre no pasto señal (
Brachiaria decumbens ) e no pasto que é um de seus progenitores, a
Brachiaria ruziziensis. Tal caracteristica aumenta a probabilidade de ocorrência de fotosensibilização ( por infestação deste material morto por Pythomices chartarum, um fungo hepatotóxico ) em animais jovens ou debilitados ou mesmo não adaptados a tal pasto.
Suas caracteristicas de alta proteína e digestibilidade são verdadeiras, porém, somente em idades de rebrote ao redor de 20 a 25 dias ( como na maioria das forrageiras tropicais ), quando apresentam o inconveniente de estarem com alto conteúdo de água nos tecidos ( baixa MS ), o que pode ocasionar diarréias ( chorros? ) nos animais.
Avaliando-se todas as caracteristicas produtivas/qualitativas e de manejo da
Brachiaria híbrida mulato e da
Brachiaria brizantha toledo ( MG-5 ), além do custo da semente de uma e de outra, eu não tenho dúvida em escolher o pasto toledo!
Mesmo porque plantei ambos em minha propriedade ( o pasto mulato inclusive me foi gentilmente doado as sementes por representantes do grupo Papalotla ) para testá-los um contra o outro. Em condições de irrigação e adubação intensiva ( da ordem de 300kg/ha/ano de N, 250kg/ha/ano de K e 120kg/ha/ano na implantação de P2O5 ), a produção de ambos foi equivalente, com a vantagem do pasto toledo não produzir o excesso de material senescente que o mulato produz!
Ambos os pastos são bastante produtivos e respondem muito bem à adubação. Requerem solos de fertilidade média/alta, apresentando obviamente seu melhor desempenho em solos de alta fertilidade ou corrigidos. São muito vigorosos, com altos índices de rebrota e toleram bem estresses hídricos. São palatáveis, apresentam bons valores nutricionais de DIVMO e proteina bruta ( porém são inferiores aos melhores panicum maximum - tanzânia1, mombaça e massai ). Em testes realizados pela EMBRAPA, que é talvez a maior e melhor instituição de pesquisa em agropecuária tropical no mundo, o pasto toledo apesar de não apresentar a resistência do tipo abiótica em relação ao salivazo como a
Brachiaria brizantha cv. marandú ( insurgente? ), apresentou-se tolerante a esta praga, não apresentando danos significativos. Tem ainda a vantagem de tolerar melhor condições de maior umidade, coisa que o mulato não suporta.
Gostaria de deixar claro que esta é uma posição pessoal minha, baseada em minha experiência direta com ambos os pastos e com pesquisas de algumas instituições sérias sobre estes pastos nas condições de minha propriedade no Brasil, em uma região de temperaturas médias elevadas, baixa altitude, regime pluviométrico da ordem de 900mm de chuva anual distribuida a maior parte de forma concentrada no período de meados de outubro a março, solo extremamente fértil, manejo criterioso, adubação e irrigação, sem utilização de fogo ou roçadeiras.
Para deixar claro a minha imparcialidade ao dar este tipo de opinião, devo enfatizar que deverei reformar uma pequena área de pastagem de
Brachiaria brizantha marandú para uso intensivo sob adubação e irrigação, e NÃO utilizarei para isso nem o mulato e nem o toledo, e sim o panicum maximum cv. tanzânia1!
Cordialmente,
Helio Cabral Jr