(6 enviados)
Quem viu este artigo? ¡Novo!
Autor: Alltech do Brasil
Data de publicação: 20/04/2006
Introdução
Os sinais de deficiência de selênio no campo
podem estar associados a diversas doenças e disfunções como
morte súbita, doença do músculo branco, necrose hepática,
doença do coração de amora, edema intestinal e diarréia
em leitões desmamados. A crescente adoção de sistemas intensivos
de confinamento para animais reprodutores resulta no aumento na ocorrência
de deficiência de alguns minerais como o selênio. A deficiência
de selênio em fêmeas é normalmente acompanhada por redução
de fertilidade, aumento no número de natimortos, produção
de leite de menor qualidade durante os primeiros dias pós-parto, alta
incidência de metrite-mastite-agalactia (MMA), leitões mais fracos
após o desmame e maior perda de porcas no rebanho. Embora outros fatores
também possam contribuir para estes sinais clínicos, estudos recentes
têm demonstrado a sua relação com a deficiência de
selênio.
Deficiência de selênio em porcas
Segundo Mahan et al. (1974), matrizes alimentadas com dietas contendo
níveis insuficientes de vitamina E e selênio resultam em menor
numero de leitões nascidos e menor número de partos por porca.
Além disso, esta deficiência faz com que as porcas e leitões
apresentem-se extremamente fracos durante o parto. Durante o estudo, nenhuma
das porcas alimentadas com estas dietas alcançaram o segundo parto,
sendo que três morreram durante a segunda gestação. Análises
do aparelho reprodutivo demonstraram a presença de fetos normais e anormais,
sugerindo a ocorrência de degradação oxidativa dos tecidos.
Em outro estudo, Mahan et al. (1974) utilizaram dietas à base
de milho e farelo de soja em matrizes suplementadas ou não com selênio.
Observou-se que porcas alimentadas com dietas suplementadas apresentaram maior
numero de leitões nascidos no segundo parto quando comparadas ao grupo
não suplementado. Alguns estudos têm relatado uma maior eficácia
na suplementação de selênio em porcas de mais idade, em
comparação às mais jovens.
Efeitos no feto
Quando a dieta fornecida a matrizes apresenta níveis insuficientes
de selênio, os níveis hepáticos de selênio do feto
tendem a diminuir durante o período de gestação (Piatkowski et
al., 1979). Pesquisas recentes realizadas por Hostetler e Kincaid (2004)
demonstraram a ocorrência de degradação oxidativa dos tecidos
hepáticos do feto e da porca quando esta foi alimentada com rações
deficientes em selênio. Foram observadas elevadas concentrações
de malondialdeído (MDA) e H2O2 no fígado dos fetos, porém
a atividade da GSH-Px não foi afetada. A GSH-Px protege várias
regiões do organismo contra os efeitos nocivos do estresse oxidativo.
Os resultados também demonstraram que a atividade da glutationa peroxidase
(GSH-Px) no fígado foi significantemente maior nas porcas adultas do
que nos fetos. Quando se forneceu uma dieta deficiente em selênio, os
produtos oxidativos finais foram acumulados no feto devido às baixas
concentrações de GSH-Px encontradas no fígado. O feto é,
portanto, incapaz de sintetizar maiores quantidades da enzima GSH-Px para prevenir
o acúmulo dos produtos oxidativos como o MDA e H2O2. Sarada et.al.,
(2002) afirma que a suplementação de selênio tem se mostrado
eficaz na redução da produção de MDA. Assim, a
quantidade de selênio fornecida à porca é fundamental para
a sobrevivência do feto por prevenir o acúmulo destes produtos
oxidativos. Entretanto, a transferência do selênio da porca para
o feto é dependente da quantidade de selênio presente na porca
e também da fonte e níveis adicionados na dieta durante a gestação.
Efeitos no período pós-natal
Quando a fêmea apresenta níveis inadequados de vitamina E e selênio,
os leitões neonatos podem apresentar vários sinais de deficiência
como toxicose por ferro, causando danos às membranas dos tecidos e levando
muitas vezes à morte. Loudenslager et al. (1986) demonstram
que animais nascidos de porcas alimentadas com dietas deficientes em vitamina
E e selênio apresentavam menor poder antioxidante do que os nascidos
de porcas alimentadas com níveis adequados destes nutrientes. O colostro
apresenta uma maior concentração de vitamina E e selênio
quando comparado ao leite, sendo a principal fonte destes nutrientes para os
recém nascidos. O selênio é transferido através
da placenta e do tecido mamário da porca. O teor de selênio nos
tecidos de recém nascidos e sua transferência através do
leite são menores quando se utilizam fontes inorgânicas (Mahan
e Kim, 1996). Os mesmos autores observaram que a adição de selenito
de sódio em dietas de matrizes não alterou os teores de selênio
no leite da matriz e no sangue dos leitões. Por outro lado, a adição
de selênio orgânico derivado da levedura Saccharomyces cerevisiae cepa
1026 (SODL) resultou em maiores níveis de selênio no leite. Segundo
Mahan (1991, 1994), os níveis de selênio e vitamina E no leite
são reduzidos com o avanço das parições, sugerindo
que a progênie de porcas mais velhas é mais suscetível à deficiência
do que leitões oriundos de porcas primíparas. Considerando que
os leitões na fase de creche dependem do fornecimento de selênio
e vitamina E através do leite, altas concentrações destes
nutrientes nos fluidos mamários da porca em lactação tornam-se
críticas na prevenção de deficiências em leitões.
Efeitos do selênio orgânico e inorgânico sobre a reprodução
de porcas
Nem todas as formas de selênio são igualmente úteis ao
organismo. Fontes inorgânicas, como o selenato e selenito de sódio,
são normalmente adicionadas a alimentos para consumo humano e animal,
entretanto grande parte do selênio consumido nesta forma é excretada
ao invés de ser retida no organismo e aproveitada pelos animais. A seleniometionina
encontrada na natureza é a forma ideal de selênio para a digestão
e metabolismo no organismo, sendo predominante no SODL. Esta forma de selênio é retida
pelo organismo, disponibilizando maior quantidade de selênio para funções
essenciais, incluindo a proteção antioxidante. Em estudos realizados
por Mahan e Kim (1996) e Mahan (2000), avaliando a diferença entre o
fornecimento de diferentes dietas contendo SODL ou selenito de sódio,
demonstrou-se um aumento nos níveis de selênio em matrizes e suas
progênies com a utilização da fonte orgânica, além
de maiores concentrações de selênio no colostro e leite.
Segundo Mahan (1999) o SODL é transferido de forma muito mais eficiente
para o leite, em comparação ao selênio inorgânico
(Figura 1).

Figura 1. Efeito da fonte e nível de selênio
sobre o teor do mineral no leite (média aos 7 e 14 dias). Matrizes suplementadas
a partir de 109 dias de gestação e durante a lactação
(Mahan, 1999).
Após a aprovação do uso do SODL em dietas de suínos
em muitos países (FDA, 2002) os efeitos de sua suplementação
em dietas de porcas e suas progênies foram avaliados por Mahan (2004).
Os seguintes tratamentos foram utilizados no estudo: T1) dieta basal sem adição
de selênio; T2) dieta basal + SODL (0.15 e 0.30 ppm); T3) dieta basal +
selênio inorgânico (0.15 e 0.30 ppm); T4) combinação
de 0.15 ppm de SODL e 0.15 ppm de selênio inorgânico. Os resultados
demonstraram uma redução no número de natimortos com a suplementação
de 0.30 ppm de selênio orgânico (SODL) (Figura 2). Além disso,
os leitões nascidos de porcas suplementadas com selênio inorgânico
apresentaram maior incidência de “splay leg” (Figura 3) ao
nascimento. A utilização de 0.15 ppm de selênio orgânico
ou inorgânico parece otimizar a performance reprodutiva das matrizes, porém
níveis mais elevados (0.30 ppm) de SODL propiciam maior transferência
do mineral para o feto e para o leite.
Conclusão
Pesquisas demonstram que porcas alimentadas com dietas deficientes em alguns
nutrientes podem apresentar diversas doenças e disfunções.
Esta condição pode afetar o desempenho reprodutivo da porca e
de sua progênie, sendo que porcas de alta produtividade e mais velhas
estão mais propensas a apresentar deficiências. O selênio
inorgânico na forma de selenito de sódio teve muita importância
nas primeiras descobertas sobre a necessidade de suplementação
de selênio em dietas de porcas. Entretanto, estudos recentes indicam
uma menor absorção pelo organismo e menor eficácia na
transferência de selênio para o feto e para o leite quando se utiliza
fontes inorgânicas de selênio. Pode-se concluir que o uso de SODL
torna-se mais indicado para a suplementação durante longos períodos
reprodutivos, visto que este tem mostrado inúmeras vantagens sobre as
fontes inorgânicas de selênio.
Don Mahan
Departamento de Zootecnia, Ohio State University, EUA
Autor: Alltech do Brasil
Data de publicação: 20/04/2006
(6 enviados)
Quem viu este artigo? ¡Novo!
REALIZAR UM COMENTÁRIO SOBRE ESTE ASSUNTO.
|