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Linha Bovinos Leiteiros PROGRAMA NUTRON PARA ALIMENTAÇÃO
DE BOVINOS DE LEITE
O programa NUTRON para alimentação de bovinos
leiteiros tem como objetivo principal a obtenção de animais
sadios e produtivos. Estas metas são essenciais para o
produtor moderno, que se defronta com um mercado cada
vez mais competitivo e eficiente.
É importante ressaltar que além da nutrição, outros fatores
interferem significativamente na obtenção dessas metas: Genética, Sanidade, Manejo e Instalações. Falhas que eventualmente
venham a acontecer em uma ou mais destas áreas
resultarão em queda no desempenho proporcional à intensidade
do erro.
O programa NUTRON para alimentação de bovinos
leiteiros está dividido em 4 fases:
1. Programa NUTRON para alimentação de bezerras/terneiras
(nascimento a 2 meses de idade)
O desenvolvimento inicial do recém-nascido é uma
das fases mais críticas de toda a vida produtiva do animal.
Ordenhar a vaca e fornecer o colostro ao recémnascido
dentro dos primeiros 30 minutos pós-parto é
condição primordial para conferir anticorpos as bezerras/
terneiras, visando a dar condição de resistência a
doenças e infecções.
Nos sistemas mais modernos de criação de bezerras/
terneiras, procura-se desmamar o animal o mais rápido
possível (60 a 90 dias pós-parto). O objetivo é reduzir sua
dependência de um alimento líquido e caro (leite) e conseqüentemente
possibilitar o maior uso de alimentos sólidos e
mais baratos. Portanto, a transição de uma dieta 100%
líquida (nascimento) para 100% sólida (desmama), num
curto período de tempo, torna-se um grande desafio a ser
vencido pelo animal, não devendo atrapalhar o crescimento
normal nessa fase de criação (Tabela 1).
Na fase de aleitamento, é fundamental o fornecimento
diário e constante de leite "in natura" ou sucedânio de leite
de boa qualidade, na base de 4 litros/animal/dia, sempre
dividido em no mínimo 2 tratos diários. A quantidade
fornecida não deve ser alterada durante a fase de aleitamento,
visando estimular o animal a consumir mais ração
inicial, ou seja, facilitando a transição da alimentação líquida
para a sólida.
O fornecimento da ração inicial tem como objetivo principal promover o desenvolvimento do rúmen, capacitando
o animal a consumir alimentos sólidos. O uso de
ração inicial é mais efetivo como estimulador de desenvolvimento
ruminal do que as forragens (Ex: fenos, capins, etc.).
Portanto, durante o 1º mês de vida do animal, é preferível
fornecer somente a ração inicial como alimento sólido.
A ração deve ser colocada à disposição dos animais
desde o 3º dia pós-parto para estímulo do consumo. A
quantidade fornecida diariamente deve ser suficiente para
não haver sobras. Assim evitam-se fermentações indesejáveis
e, conseqüentemente, problemas digestivos. O
acompanhamento do peso vivo dos animais em função da
idade mostrará se o crescimento está ou não dentro do
padrão considerado normal para a raça, podendo ser
utilizado para correções no manejo alimentar.
O uso de forragens é recomendado somente a partir do 2º
mês de idade, de preferência na forma de feno. A utilização de
feno de leguminosa (Ex: alfafa) ou de gramínea (Ex: coast-cross)
vai determinar o uso de rações iniciais de níveis nutricionais
diferenciados (consultar nosso Departamento Técnico).
O suprimento de água fresca e limpa deve ser constante,
somente sendo retirado por ocasião do fornecimento do
leite. Aproximandamente 1 hora após o fornecimento de
leite, voltar ao oferecimento de água.
Quando o consumo diário de ração inicial atingir
aproximadamente 700 gramas/animal, faz-se a desmama.
O tipo de instalação mais recomendado para esta fase
são as chamadas casinhas móveis, que possibilitam melhor
observação individual das bezerras/terneiras e agilizam
possíveis intervenções (diarréia, etc.).
O uso de soluções glicoeletrolíticas, em casos de diarréia,
hidrata e recupera os animais muito mais rapidamente.
Tabela 1: Peso Médio ao Nascimento e Recomendações
para os Primeiros 3 Meses de Idade
2. Programa NUTRON para alimentação de novilhas (3 meses de idade
até 30 dias antes do parto)
Uma vez desmamados, geralmente os animais são colocados
em bezerreiros coletivos, com acesso a piquete. Nessa nova
fase de criação, recomenda-se a divisão em lotes, em função do
peso e da idade. Esta prática de manejo facilita um arraçoamento
mais racional, visando a homogeneidade dos animais. Também
facilita o acompanhamento do desempenho geral dos diferentes
lotes, possibilitando correções em caso de lotes atrasados
(animais magros) ou muito pesados.
A recomendação da NUTRON para a divisão
de animais em crescimento em lotes baseia-se na
idade dos animais, conforme descrito debaixo

Tabela 2: Recomendação Nutricional para Dietas de Novilhas Leiteiras em
Crescimento
1 PDR = proteína degrada no rúmen, PIR= proteína não degrada no rúmen
2 Referente a níveis adicionados via suplementação
A dieta deve ser diferenciada para cada uma das fases
acima, haja vista que os requerimentos nutricionais se alteram
de acordo com a proximidade da maturidade sexual. A Tabela a
seguir (Tabela 2) sugere níveis nutricionais para as dietas dos
diferentes lotes de novilhas leiteiras em crescimento.
Os requerimentos nutricionais para a fase de crescimento
variam de acordo com o desempenho esperado. Genética e o
ambiente de criação influenciam significativamente nessas
recomendações.
O ritmo de ganho de peso diário (GDP) a ser praticado nos
diferentes lotes em crescimento deve ser orientado para que os
animais alcancem os padrões definidos
pelas raças nas diferentes idades,
conforme mostra a Tabela 3.
Tabela 3: Pesos Esperados na
Fase de Crescimento
Animais das chamadas raças
grandes (Holandês, Pardo Suíço) devem
alcançar idade de cobertura próxima dos
14 meses, com aproximadamente 350 a
400 Kg de peso vivo. Nesse caso, o
primeiro parto ocorrerá ao redor dos 24
meses de idade, com peso vivo entre
580 e 620 Kg. Para atingir esse peso, as
novilhas devem ganhar em média, do 3º
mês de idade até 2 meses antes do parto,
de 750 a 800 gramas/dia (aproximadamente
23 Kg/mês).
Tanto a subalimentação como a
superalimentação dos animais em
crescimento são prejudiciais, conforme mostra o Gráfico 1. Animais subalimentados levam mais
tempo para manifestar o primeiro cio (que geralmente
ocorre ao redor de 8 a 9 meses de idade, com aproximadamente
270 a 280 Kg de peso vivo para raças grandes e 200
a 210 Kg para raças pequenas), o que atrasa a idade de
cobertura e conseqüentemente a idade do primeiro parto.
Por outro lado a superalimentação potencializa a
ocorrência de problemas relativos ao primeiro parto. Isto
é decorrente do insuficiente crescimento dos ossos que
compõem a área pélvica. Além do mais, esses animais
podem apresentar menor taxa de concepção. Novilhas
excessivamente gordas apresentam deposição exagerada
de gordura no úbere, com redução proporcional de
tecido secretor. O excesso de ganho de peso é sobretudo
prejudicial na fase que precede a puberdade do que na
fase onde já se tem a prenhez confirmada.
Lotes de novilhas que se apresentam mais gordas do
que o esperado pelo padrão da raça podem estar recebendo
uma dieta muito energética e/ou pouco protéica. Por outro
lado, lotes de novilhas magras indicam subalimentação ou
alimentação de má qualidade.
Deve-se levar em consideração a qualidade do
volumoso e a condição corporal média dos animais na
determinação da quantidade de ração oferecida.
Gráfico 1: Peso e Altura Padrão para a Raça Holandesa
(1) Novilhas com peso dentro desta zona podem ter excessivo ganho de peso até a
puberdade, resultando em redução do desenvolvimento da glândula mamária.
(2) Novilhas com peso dentro desta zona estão muito leves e não atingirão idade do
primeiro parto aos 24 meses.
FONTE: RAISING DAIRY REPLACEMENTS (1991)
3. Programa NUTRON para alimentação de novilhas / vacas no período
seco (60 dias antes do parto)
Após o término da lactação, o animal entra no chamado
período seco.
A duração do período seco deve ser de aproximadamente
60 dias. Períodos menores não são suficientes para o
desejado "descanso" do rúmen, renovação do epitélio
glandular (mamário), resultando em perda de peso e menor
produção na lactação seguinte.
Períodos maiores resultam
no aumento indesejável do intervalo entre partos.
O programa nutricional proposto para o período
seco é dividido em 3 fases:

Visando forçar o início do processo de secagem, os
animais ao final da lactação são submetidos à restrição de
água e ração. Deve-se dar preferência ao uso de feno como
fonte de alimento volumoso. Silagens de milho/sorgo
devem ser evitadas, visando ao "descanso" ruminal e
evitando a engorda excessiva dos animais.
A alimentação na fase 2 deve possibilitar a manutenção
da condição corporal dos animais, em que o pequeno
ganho de peso obtido seja resultado somente do crescimento
fetal característico do período. Portanto, o fornecimento
de feno (à vontade) 1 a 2 Kg de ração/vaca/dia é suficiente
para este objetivo. Deve-se levar em consideração a
qualidade do volumoso e a condição corporal média dos
animais na determinação da quantidade de ração fornecida.
Um programa nutricional específico para a fase 3
prepara melhor o animal para o parto e para a lactação
seguinte. Visando a transição da dieta dos animais secos
para a dieta de lactação, devemos aumentar gradativamente
(0,5 Kg/dia) a quantidade de ração oferecida, chegando a 3 a
4 Kg/vaca/dia. Levar em consideração a qualidade do
volumoso e a condição corporal média dos animais para a
determinação da qualidade da ração oferecida.
O uso de dietas aniônicas para esse período deve ser
avaliado. Os níveis de potássio e cálcio dos alimentos têm
importância fundamental nessa decisão. A utilização de dietas
aniônicas é eficiente quando feita corretamente. Consulte
nosso Departamento Técnico para maiores informações.
A Tabela 4 sugere níveis nutricionais para dietas dos
diferentes lotes de animais durante o período seco.
Em função da proximidade do parto, animais de alto potencial de produção devem ter nessa fase toda a condição
de conforto possível. Devido à redução da capacidade de
consumo de alimentos típica dessa fase, o fornecimento de
alimentos volumosos de qualidade e alimentos concentrados
(ração) bem balanceados é fundamental.
A incidência de problemas metabólicos ocorridos
durante o período pós-parto deve ser utilizada para avaliarse
o manejo alimentar utilizado no período seco.
4. Programa NUTRON para alimentação de novilhas / vacas em lactação
Possibilitar um consumo suficiente de nutrientes
durante a fase inicial da lactação é o grande desafio de um
eficiente programa de alimentação para novilhas/vacas
lactantes. Poucos animais sofrem tanto com o estresse
metabólico quanto os bovinos leiteiros de alta produção,
principalmente no início da lactação.
A exigência nutricional da vaca leiteira é alterada
significativamente a partir do parto. Vacas leiteiras com
aproximadamente 630 a 640 Kg de peso vivo e produzindo
45 Kg de leite (3,5% gordura), têm seu requerimento
energético aumentado em 4 vezes, além do requerimento
protéico, que é aumentado em 10 vezes.
Quando as vacas estão produzindo leite em proporção
superior a 5 - 6% do seu peso vivo (fato que geralmente
ocorre no início da lactação), estão provavelmente excedendo
sua capacidade de consumo de energia para manutenção
desse peso. Como consequência, os animais mobilizam
suas reservas corporais na tentativa de viabilizar seu
potencial leiteiro, o que os leva a perder peso.
No Gráfico 2 abaixo temos o chamado "Ciclo da
Lactação", mostrando o que ocorre ao longo da lactação
com o consumo de alimentos, produção de leite e peso
corporal. Esses parâmetros nos levam a dividir a lactação em 3 fases muito distintas: início, meio e fim, onde cada uma
delas deve ter um manejo nutricional próprio, ou seja, com
dietas de características nutricionais distintas.
O início da lactação compreende as 10 primeiras
semanas, quando ocorre o chamado "balanço energético
negativo", ou seja, a capacidade de ingestão de alimentos
não é suficiente para sustentar a produção crescente de leite,
pois o pico de produção ocorre 4 a 6 semanas pós-parto,
enquanto o pico de ingestão de alimentos ocorre somente
após 15 a 16 semanas. Nesta situação de balanço negativo, a
vaca mobiliza energia previamente estocada em seu
organismo (depósito de gordura) para "cobrir" o déficit e
tentar evitar a queda de produção de leite. Essa mobilização
de gordura corporal leva ao emagrecimento do animal.
Visando evitar perda excessiva de peso no início da
lactação, devemos aumentar a densidade nutricional da
dieta. Isto é conseguido através do aumento gradativo da
quantidade de alimentos concentrados. Entretanto, é preciso
estar atento para os níveis mínimos de fibra da dieta,
evitando problemas metabólicos.
A utilização de aditivos alimentares (substâncias
tamponantes, culturas de leveduras, ionóforos, minerais
orgânicos, etc.) deve ser avaliada caso a caso, com a
intenção de que haja real proveito destas opções.
O meio da lactação vai da 10ª a 11ª até entre a 30ª e
31ª semana pós-parto, sendo também chamado de período
de equilíbrio energético. O início da redução na produção
diária de leite (redução de 5 a 10% ao mês), aliado ao
aumento na capacidade de ingestão de alimentos, reduz
gradativamente a perda de peso, até o momento em que
inicia-se nova fase de ascensão.
Em função das características descritas acima, nesta
fase devemos implementar uma nova dieta (meio da
lactação), de densidade nutricional inferior à dieta inicial,
reduzindo o custo da alimentação.
Nesta fase, o uso de aditivos alimentares deve ser
avaliado com mais rigor que na fase anterior, pois nesta fase
os "desafios" metabólicos são menores.
Gráfico 2: Ciclo da Lactação

O final da lactação vai da 30ª a 31ª até a 39ª a 40ª
semana pós-parto. Nessa fase procura-se recompor a
condição corporal dos animais, para que estes armazenem
reserva suficiente de energia para o início da próxima
lactação. Sabe-se que o ganho de peso nessa fase é mais
eficiente do que em qualquer outra fase do ciclo da lactação.
A Tabela 4 sugere níveis nutricionais para dietas de
diferentes lotes de novilhas/vacas em lactação. A utilização de lotes separados para novilhas e vacas é recomendável,
não só por uma exigência nutricional mais elevada das
novilhas, mas também pela dominância das vacas sobre as
novilhas no momento de acesso do cocho.
Tabela 4: Recomendação nutricional para vacas leiteiras em diferentes estágios de lactação e gestação.
(Click on the image to enlarge it)
(1) PDR = proteína degrada no rúmen, PIR= proteína não degrada no rúmen
(2) Estes animais vão perder peso (valores acima de 1,8 são impossíveis)
(3) Dietas para animais em lactação com adição de gordura devem procurar os níveis mais elevados. Quando o nível gordura for acima 6% na MS, usar gordura
protegida
(4) Referente a níveis adicionados via suplementação
Proporção de minerais na dieta total: zinco:cobre 4:1, ferro:cobre 40:1, potássio:Mg 4:1, cobre:molibdênio 6:1, potássio: sódio 3:1, nitrogênio:enxofre 11:1
(5) Durante período de estresse térmico: aumentar o nível de potássio (1,3 a 1,5%) e sódio (0,30 a 0,50%) nas dietas dos animais em lactação
* Carboidrato não fibroso (CNF)
CONDIÇÃO CORPORAL
Condição corporal refere-se à quantidade de gordura
corporal subcutânea do animal. Trata-se de uma importante
ferramenta de manejo que ajuda a maximizar a produção de
leite e a eficiência reprodutiva, além de ajudar a reduzir
incidências de doenças metabólicas no pós-parto.
Basicamente o escore da condição corporal (ECC)
classifica subjetivamente os animais, de acordo com o grau
de "carne" (principalmente gordura) que cobre as vértebras
lombares, pélvis e inserção da cauda.
Usando escala de 1 a 5 pontos, onde 1 significa um
animal extremamente magro e 5 um outro extremamente
gordo, temos que cada unidade correspondente a 56 Kg de
peso vivo. Portanto, um animal com ECC igual a 4 tem cerca
de 56 Kg de peso vivo a mais que outro com ECC igual a 3. A
Tabela 5 mostra as regiões do corpo do animal que devem
ser consideradas para estipular o ECC. O acompanhamento
do ECC dos animais na fase de crescimento (Gráfico 3) e ao
longo da lactação (Tabela 6) ajuda na avaliação do programa,
servindo para sustentar mudanças.
Gráfico 3:
Fonte: Elanco Saúde Animal


Tabela 5: Regiões do Corpo do Animal a Serem Consideradas para Estipular o Escore da Condição Corporal
(Click on the image to enlarge it)
Tabela 6: Escores Corporais para as Diferentes Fases do Ciclo de Lactação
Comercialização Disponível para a exportação |
ENGORPPROD 129-534 20081205
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