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Limpeza e desinfecção na avicultura |
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Autor: Eng. Agr. Gerardo Grezzi - Consultor em Biosseguridade
Data de publicação: 11/06/2008
Microorganismos patogênicos podem ser introduzidos em uma granja avícola ou
incubatório de várias formas. Por isto, os protocolos de limpeza e desinfecção são
componentes essenciais de qualquer programa de biosseguridade, buscando conter ou
eliminar a disseminação de doenças. Os protocolos de limpeza e desinfecção, quando
corretamente adotados, podem ser um meio econômico de reduzir os microorganismos
patogênicos e são parte integral de programas de bioseguridade. Geralmente, é mais
fácil e mais barato prevenir uma doença do que ter que lidar com um surto. Portanto, o
desenvolvimento e aplicação de um protocolo de limpeza e desinfecção para o controle
e a prevenção de doenças infecciosas se tornaram essencial para a avicultura moderna,
tanto na granja, quanto no incubatório. Os protocolos de limpeza e desinfecção
dependem da necessidade da granja (frangos de corte, matrizes, localização, desafios,
etc.) ou do incubatório. Não há um desinfetante único adequado para todas as
situações e todos os desafios. A desinfecção sem um protocolo anterior de limpeza não
é economicamente eficaz. Os protocolos de limpeza e desinfecção usados diariamente
são diferentes dos necessários para controlar um surto de doença infecciosa.
Entretanto, ambos têm componentes em comum: a limpeza e a lavagem completa antes
da aplicação de qualquer desinfetante são essenciais. Os objetivos desta revisão são:
1. Definir os termos comumente usados em referência ao processo de limpeza e
desinfecção.
2. Dar uma visão geral dos fatores que devem ser considerados ao desenvolver
um protocolo efetivo de limpeza e desinfecção, incluindo biofilmes.
3. Fornecer uma visão geral dos produtos químicos usados para a desinfecção,
suas vantagens, limitações, alegações de rótulo e manipulação.
4. Descrever as etapas fundamentais de um protocolo efetivo de limpeza e
desinfecção, especialmente contra vírus.
5. Discutir a questão da resistência e a necessidade de rotação de produtos.
Depois do desenvolvimento de um protocolo de limpeza e desinfecção é
importante o treinamento dos funcionários quanto aos procedimentos adequados a
serem usados e às questões de segurança envolvidas, assim como as etapas
colocadas em locais bem visíveis em toda a instalação para servir de lembrete das
técnicas adequadas de desinfecção.
Definição de desinfetantes
Agentes desinfetantes são substâncias usadas para controlar, prevenir ou
destruir microorganismos prejudiciais (como bactérias e fungos) e inativar vírus em
objetos inanimados e superfícies. O organismo-teste oficial deve ser eliminado em 10
minutos sob as condições definidas pelo teste adequado da AOAC. Os desinfetantes
podem ser agentes físicos, como raios-X ou luz ultravioleta, mas geralmente são
agentes químicos. O termo desinfetante é mais usado para designar substâncias químicas que matam as formas em crescimento, mas não necessariamente as formas
resistentes, como esporos, de bactérias e fungos. Há cinco elementos que estes fatores
ou substâncias devem atender para que sejam considerados desinfetantes:
- remover infecção;
- matar e, não apenas inibir, microorganismos em estado vegetativo;
- não, necessariamente, matar esporos;
- geralmente, é uma substância química, mas pode ser um agente físico;
- são usados apenas em objetos inanimados.
O processo de desinfecção não equivale à esterilização ou à limpeza.
Desinfecção comparada à esterilização e à sanitização
É importante diferenciar estes termos. Esterilização é o ato ou processo, químico
ou físico, que destrói ou elimina todas as formas de vida, especialmente
microorganismos até que não possam ser detectados em meios de cultura padrão, nos
quais foi verificado que antes proliferavam. Esta é uma situação que não encontramos
em granjas e incubatórios e não faz parte do objetivo de nenhum protocolo realista para
este tipo de instalação.
A sanitização é o processo através do qual os contaminantes bacterianos são
reduzidos a um nível seguro de acordo com padrões de saúde pública. É comumente
usado com substâncias que são aplicadas sobre objetos inanimados em restaurantes,
banheiros, plantas de processamento de alimentos e cozinhas. Os sanitizantes devem
matar 99,99% dos organismos-teste em 30 segundos sob as condições definidas no
teste apropriado da AOAC.
A diferença entre desinfecção e sanitização foi à base do método do teste de
diluição de 10 minutos, para avaliar desinfetantes hospitalares e o método de redução
da contagem em 30 segundos, para os agentes sanitizantes usados nos setores
relacionados à saúde pública. O primeiro é um teste tudo ou nada (100% de
eliminação), enquanto que o segundo busca uma eliminação de 99,99%.
Isto é importante quando se considera o nível de contaminação necessário, que
depende da dose infectante do agente. Para alguns microorganismos, uma quantidade
ínfima de virions ou UFC (unidade formadora de colônia) que pode causar doença,
enquanto que para outros, é suficiente diminuir o seu número para um nível seguro, que
deve ser abaixo do limiar de infecção subclínica (Figura 1).

O processo de limpeza
É importante compreender o significado de limpeza e como isto afeta nossos
protocolos de higiene.
Um ponto importante a ser lembrado é que os desinfetantes e sanitizantes não
funcionam se a superfície a ser desinfetada não for limpa antes da sua aplicação. É
quase impossível desinfetar uma superfície suja. Em outras palavras, a limpeza e a
desinfecção são procedimentos totalmente separados. A instalação deve ser limpa e
posteriormente, pode ser desinfetada ou sanitizada.
Limpar as instalações se refere à remoção física da matéria orgânica, expondo
assim os patógenos ao poder de eliminação do desinfetante. Matéria orgânica, como
solo, resíduos vegetais (como palha ou feno), leite, sangue, pus e esterco inativam
alguns desinfetantes ou protegem os microorganismos dos ingredientes ativos dos
mesmos. Desinfetantes à base de cloro são especialmente problemáticos neste
aspecto. O ingrediente ativo da água sanitária (cloro) é inativado relativamente
rapidamente por resíduos orgânicos, como esterco, em concentrações usadas para
desinfetar superfícies limpas. Por isto é tão importante remover os resíduos orgânicos
antes da desinfecção.
O procedimento de limpeza pode envolver duas etapas: limpeza seca seguida
de limpeza úmida. O processo de limpeza seca remove o material orgânico antes da limpeza úmida. Com a limpeza seca, sujeira, resíduos, manchas e matéria orgânica que
podem neutralizar o desinfetante, devem ser retiradas. Cama de aviário, ração, fezes,
penas, ovos quebrados e qualquer outro material devem ser varridos e retirados do
interior do galpão ou do incubatório. Se necessário, o piso deve ser raspado à mão para
retirar torrões de cama, de ração ou outros resíduos. Os equipamentos removíveis
devem ser levados para fora para permitir a limpeza completa e a posterior desinfecção.
A limpeza úmida envolve o uso de água e sabão ou detergente. Os detergentes
são agentes de limpeza que servem para dispersar e remover a matéria orgânica das
superfícies. Os detergentes molham estes materiais, reduzindo a tensão superficial,
aumentando assim a capacidade da água penetrar. Também, têm ação emulsificante,
dissolvendo e saponificando gorduras, evitando que estas se acumulem sobre as
superfícies. Não se recomenda lavar usando apenas água. Infelizmente, esta prática é
observada em diversas operações e pode dar uma falsa sensação de segurança.
Os sabões e, especialmente, os detergentes usados em granjas são bons
agentes de limpeza e aumentam a eficácia do processo de limpeza, deixando as
superfícies prontas para o aproveitamento completo do desinfetante que será aplicado
em seguida. Os detergentes usados em granjas penetram e degradam materiais difíceis
e são levemente germicidas, mas não são adequados como desinfetantes ou como
sanitizantes. O detergente usado deve ser compatível com o desinfetante que será
usado no processo. Isto é essencial e deve ser considerado ao selecionar os produtos a
serem usados no programa.
Os detergentes são classificados em três categorias: catiônicos, aniônicos e
não-iônicos. Os detergentes catiônicos são soluções com carga positiva e, exceto pelos
compostos de amônia quaternária, raramente são usados como agentes de limpeza. Os
detergentes aniônicos ou sabões são sais alcalinos de ácidos graxos com carga
negativa. Não são ideais para a limpeza porque podem formar excesso de espuma,
criando um resíduo que pode permitir o acúmulo de terra e microorganismos. Os
detergentes não-iônicos (sem carga) são excelentes emulsificantes, têm boa
penetração e dispersão, são eficazes para diminuir a tensão superficial e produzem
menos espuma. Estes produtos geralmente não formam complexos com íons metálicos,
como os encontrados em água dura. A maioria dos detergentes comerciais usados em
granjas é uma combinação de detergentes aniônicos e não-iônicos.
O processo de limpeza úmida envolve quatro etapas básicas: empapar, lavar,
enxaguar e secar. Na limpeza úmida, deve ser dado tempo para empapar as superfícies
de forma a soltar os resíduos, para que possam ser facilmente removidos com escova
ou jato. Os lavadores de alta pressão são muito úteis para limpar superfícies porosas
(como as usualmente encontradas em galpões avícolas) durante a limpeza úmida. A
água quente ajuda a acelerar o processo e a remover materiais gordurosos. A água
quente, também, é muito eficaz para matar bactérias, especialmente quando é usado
um detergente adequado desenvolvido para granjas. O uso de água quente não é
obrigatório e pode não ser prático na maioria das granjas, onde geralmente não está
disponível. No entanto, em incubatórios, é mais provável que esteja disponível e,
portanto, pode ser aplicada. Todo o jato de água deve ter pressão de 200psi (libras por
polegada quadrada) para ter boa penetração. Todavia, esta pressão pode provocar
furos em materiais envelhecidos ou que tenham uma camada superficial fina. Deve-se
tomar cuidado para que o jato não atinja motores elétricos. Pode ser usada fita isolante
para cobrir as aberturas da carcaça do motor. Deve ser usada uma aplicação
sistemática do jato de água, como começar pelo teto, passando pelas paredes e
finalmente o piso. Um enxágüe completo com água limpa remove o detergente e
qualquer resíduo orgânico que tenha permanecido e que possa interferir com a eficácia do desinfetante a ser usado. O enxágüe também diminui a possibilidade de prejudicar
os animais por absorção acidental de qualquer detergente ou sabão residual.
A etapa final da limpeza é secar rápida e completamente as áreas molhadas. Se
a instalação não for seca adequadamente, o excesso de umidade causa multiplicação
de bactérias para níveis ainda maiores que antes da limpeza. Portanto, a limpeza
inadequada pode ser mais prejudicial do que benéfica. Assim que a instalação estiver
adequadamente limpa, pode ser iniciado o procedimento de desinfecção.
A rotação de detergentes, usando produtos alcalinos ou ácidos, é recomendada
para remover material acumulado e facilitar a remoção de depósitos minerais e
biofilmes das superfícies. Também é importante fazer a rotação do pH dos detergentes,
porque alguns tipos de sujeira, como gorduras, óleos e proteínas, necessitam de
detergente alcalino para sua remoção, enquanto que depósitos minerais, incrustações e
limo são removidos mais facilmente usando um detergente ácido.
Desenvolver um protocolo adequado de limpeza é uma coisa séria. Para isso as
empresa, geralmente, solicitam uma auditoria com especialistas em biosseguridade e
discutem quais são as necessidades e metas para implementar o melhor programa. Os
protocolos de limpeza e desinfecção devem ser personalizados de acordo com cada
situação que, na maioria dos casos, é diferente da dos seus vizinhos.
O processo de desinfecção
Como mencionado acima, os desinfetantes são agentes químicos que eliminam
patógenos por contato. Toda a matéria orgânica e a sujeira devem ser removidas para
garantir que a substância química entre em contato completo com os patógenos.
Os desinfetantes químicos podem ter diversos efeitos contra microorganismos.
Portanto, é importante ter conhecimentos básicos sobre os diferentes agentes químicos
para fazer a escolha certa. Os desinfetantes e sanitizantes geralmente reagem com
proteínas, especificamente com enzimas essenciais dos microorganismos. As ações
incluem oxidação, hidrólise, desnaturação ou substituição. Quando implica em matar os
microorganismos, usa-se o sufixo – cida (como biocida, bactericida, viricida, esporicida),
enquanto que o sufixo – stático (como bacteriostático, virostático, esporostático) indica
que o crescimento do microorganismo é apenas inibido ou evitado. Isto está relacionado
com o conceito CIM (concentração inibitória mínima). CIM ou MIC é o nível necessário
para inibir o crescimento, enquanto que concentração biocida é aquela que mata os
microorganismos.
A principal meta do protocolo de limpeza e desinfecção é retirar a fonte de
contaminação e doença pela minimização da oportunidade de multiplicação dos
patógenos (Figura 2).

Lembre-se que os sanitizantes não destroem ou eliminam todas as bactérias ou
microorganismos, mas reduzem a contaminação bacteriana, em superfícies inanimadas,
a níveis considerados seguros do ponto de vista da saúde pública. Isto é importante
para garantir que você atinja as metas do seu programa de higiene.
Há alguns princípios básicos a serem considerados para a desinfecção. Um
ponto importante é lembrar que a água dura pode neutralizar a atividade de alguns
desinfetantes. Além disso, algumas soluções desinfetantes permanecem ativas apenas
por alguns dias depois da preparação ou mistura. Utilizar soluções de desinfetantes
preparadas há alguns dias ou visivelmente contaminadas com matéria orgânica, como
fezes, significa usar um produto que não é mais eficaz (como exemplo, pode-se citar os
pedilúvios com desenho errado e manutenção deficiente ou mesmo sem manutenção).
Ainda pior, pode gerar uma falsa sensação de segurança quanto ao processo de
desinfecção.
Concentração e tempos de contato suficientes podem superar alguns destes
problemas com certas classes de desinfetantes, mas geralmente, aumentar a
concentração ou tempo de contato torna o uso do produto pouco prático, caro, cáustico
ou perigoso para os usuários e animais. Os desinfetantes também variam
consideravelmente em sua atividade contra diversas bactérias, fungos, vírus e
protozoários que causam preocupação na avicultura.
Depois de desenvolvido e implementado o plano de desinfecção, todos os
funcionários, inclusive os técnicos que visitam periodicamente a propriedade, devem
ser informados quanto à implementação correta do protocolo de desinfecção,
enfatizando a importância da limpeza completa, do uso do banho ao entrar e ao sair, do uso de roupas limpas, de pedilúvios e de lavar as mãos freqüentemente com sabão
antibacteriano ou álcool-gel. Explicar as metas e os métodos com clareza, colocando
cartazes para lembrar os funcionários dos protocolos. A utilização de cartazes, de
acordo com as diretrizes HACCP e BPM, indicando os pontos de controle é muito útil
para lembrar os funcionários de o que precisa ser feito, como e porquê de cada ponto
crítico ou de controle para minimizar a contaminação.
Para que o processo de desinfecção seja econômico, é importante lembrar o
seguinte:
• Limpeza - os desinfetantes raramente funcionam (há variações,
dependendo da substância química) se houver muita matéria orgânica presente.
Desinfecção não é sinônimo de limpeza e por isso é extremamente importante
limpar primeiro desinfetar depois. Desinfetantes à base de iodo e de cloro são muito
sensíveis à sujeira orgânica (Pryor & Brown, 1975). Jono et al. (1986) investigaram
o efeito da albumina sérica bovina (ASB) sobre a atividade bactericida de compostos
de amônia quaternária (CAQ) e demonstraram que a 2% de ASB, até 80% da dose
de CAQ ligava-se à ASB. Na presença de soro humano ou de extrato de levedura,
era necessário de 10 a 100 vezes mais CAQ para atingir um nível específico de
desinfecção.
• Concentração - para obter uma desinfecção eficiente, é necessário
utilizar uma concentração que seja suficientemente alta. Isto é um dos pontos mais
importante a ter me mente. Produtos que comprovam sua eficácia biocida em
condições laboratoriais (geralmente usando concentrações baixas, como 1:1000 –
1:2000) simplesmente não funcionam bem quando aplicado em condições de
campo, onde os desafios (pressão de doença, dureza da água, matéria orgânica,
alterações de pH, temperatura, etc.) são muito piores. A concentração e o tempo
para fazer efeitos estão ligados, o mesmo produto usado em concentrações mais
baixas precisa de mais tempo para ser eficaz e realizar seu objetivo. Isto é
especialmente importante em pedilúvios, rodolúvios e arco de desinfecção, cujo
tempo de contato com a superfície a ser tratada é mínimo.
• Tempo - os desinfetantes não agem instantaneamente. E necessário
certo tempo para que funcionem. Antes de afetar o microorganismo, o desinfetante
precisa penetrar a parede celular e isto leva tempo. Como mencionado acima, o
tempo também está ligado à concentração.
• Temperatura - a dependência que a atividade antimicrobiana de um
agente químico tem da temperatura é uma soma complexa do efeito da mudança da
temperatura sobre a taxa de crescimento, a taxa de morte por calor e a taxa de
desinfecção química e, portanto, difícil de analisar. A velocidade dos processos
ligados à desinfecção aumenta com a temperatura. Geralmente, a velocidade dobra
com um aumento da temperatura de 5 para 15ºC. produtos diferentes são mais ou
menos afetados pelas mudanças da temperatura (produtos à base de aldeídos, por
exemplo, são muito afetados e alguns produtos funcionam melhor que outros em
condições frias). Isto é especialmente importante nos meses de inverno cuja
temperatura média é de menos 20ºC.
• pH - a maioria dos desinfetantes depende do pH adequado para ser o
mais eficiente possível ou mesmo funcionarem. Acidez ou alcalinidade extrema
pode limitar o crescimento de microorganismos, sendo pH de 4,5 a 9,0 o intervalo de
limitação de muitos deles. A atividade dos agentes antimicrobianos que ocorrem
contra diferentes espécies, dentro de um intervalo de pH compatível com
crescimento microbiano, pode ser influenciada por pequenas alterações do pH do
meio. A eficácia do glutaraldeído depende do pH e funciona melhor em pH acima de 7,0. Por outro lado, os CAQ são mais eficazes em pH entre 9,0 e 10,0. O pH pode
afetar a atividade dos compostos fenólicos, hipoclorito e iodo.
• Dureza da Água - em geral, parece que a interferência é resultado de
diversos fatores inter-relacionados de forma complexa. Acredita-se que dureza
causada por certos íons, como cálcio, magnésio e bicarbonato, seja mais importante
que a dureza total. A eficácia de compostos de amônio quaternários mais antigos é
particularmente afetada pela dureza da água. A água dura reduz a eficácia de
desinfetantes e este efeito está incluído nos testes oficiais da AOAC para
detergentes e santizantes e, também, nos testes de eficácia de desinfetantes da
União Européia (Davis, 1990; Holah, 1995). Os desinfetantes contêm agentes
quelantes, como EDTA para ajudar a ligar estes íons.
• Umidade - a umidade relativa pode influenciar a atividade de alguns
desinfetantes. Por exemplo, a fumigação com formaldeído demanda uma umidade
do ar maior que 70% para ser eficaz.
Desinfecção e controle de vírus
Os vírus certamente são o maior desafio da avicultura e por isso é importante
mencionar alguns pontos quanto à sua transmissão e seu controle. A única forma de
evitar a infecção viral é evitar a exposição. A suscetibilidade dos vírus aos desinfetantes
depende do tipo de vírus. Vírus lipofílicos (com envelope), como orto e paramixovírus,
demonstram maior sensibilidade aos biocidas comuns, enquanto que os hidrofílicos
(sem envelope) mostram maior resistência, especialmente os vírus menores, como
parvovírus, retrovírus e reovírus. Exemplos de sensibilidade moderada são os poxivírus
e os adenovírus. Se um desinfetante passar num teste reconhecido, como o teste
viricida EPA, contra os vírus menos sensíveis (mais difíceis de serem inativados), não
há dúvida que é, de fato, um desinfetante de amplo espectro.
Ainda assim, pode ser difícil predizer a atividade de uma fórmula (em
comparação a um ativo puro), porque diferentes proporções de excipientes,
sequestrantes, solventes e detergentes produzem um efeito inespecífico e sinérgico. É
por isso que as fórmulas modernas, com ação comprovada, devem ser usadas, em vez
de simples substâncias químicas, contendo apenas um ativo e água.
Os vírus são inativados através da ruptura da sua estrutura de superfície. A
atividade antibacteriana, por outro lado, freqüentemente, está associada a eventos
intracelulares. A ruptura das superfícies dos vírus perturba a configuração básica de
“chave-fechadura” dos sítios de adesão no vírion e receptor na superfície da célula
hospedeira. Quando associado a desinfetantes, o termo inativação viral significa que as
partículas virais não são mais capazes de aderir e ser absorvidas pela célula
hospedeira. Entretanto, enquanto o ácido nucléico do vírion permanecer intacto e, se
extraordinariamente o ácido nucléico nu entrar na célula, a replicação é teoricamente
possível. Esta possibilidade foi demonstrada com o RNA de um poliovírus extraído com
fenol (Bitton, 1980). Existem, no mercado,os desinfetantes que destroem os ácidos
nucléicos e estes produtos devem ser escolhidos, quando disponíveis.
As boas práticas de manejo são fundamentais para o controle de infecções e
doenças virais. Os fatores de estresse têm papel importante na predisposição dos
animais a infecções e disseminação de doenças. Há três vias de transmissão de
doenças infecciosas, inclusive vírus: horizontal, vertical e em zigue-zague. Os
desinfetantes estão envolvidos com esta última. Esta via comum de transmissão pode
ser animada (animal para inseto para animal) ou inanimada (animal para fômite para
animal). Esta pode ser prevenida com o uso de desinfetantes. Os vírus são particularmente perigosos, porque são altamente infecciosos por via respiratória e
porque são especialmente resistentes a terapias com medicamentos (Block, 1991).
Desinfecção e controle de coccídios
Usar um desinfetante de amplo espectro pode ajudar a controlar a coccidiose
em locais onde os coccídios permanecem apesar dos métodos comuns de prevenção.
Praticamente todos os frangos de corte são desafiados por estes parasitas durante a
sua curta vida. Em geral, a doença é controlada com o uso de um coccidiostático na
ração, embora saiba-se que a inclusão de um medicamento tenha efeitos deletérios
sobre o crescimento e a produção devido ao efeito depressor de crescimento dos
coccidiostáticos.
Em alguns casos, o desafio é grande o suficiente para superar a proteção do
coccidiostático e causar coccidiose clínica e graves efeitos sobre o desempenho.
Poucos desinfetantes têm ação comprovada contra oocistos de coccídeos, que podem
ser mortos por gases tóxicos, como amônia e brometo de metila. Há um produto que
libera gás de amônia de baixo peso molecular com eficácia comprovada, mas este
produto que não é capaz de eliminar totalmente o desafio de oocistos. A literatura relata
ação parcial de alguns compostos fenólicos contra oocistos, mas os dados científicos
são inconsistentes e raros. As boas práticas de manejo, especialmente de manejo da
cama, são essenciais para o controle da doença.
Rótulos de desinfetantes e alegações dos rótulos
Os rótulos dos produtos contêm informações importantes sobre o uso
adequados e os perigos de uma substância química. Muitas vezes estas informações
são ignoradas, mas nos Estados Unidos e, em outras partes do mundo, é ilegal usar um
produto de forma diferente da indicada em seu rótulo. Portanto, deve-se dar muita
atenção ao uso adequado de um produto em relação à sua aplicação, eficácia e riscos.
Estas informações apoiarão as decisões e esforços para o controle de infecções. Os
desinfetantes podem ter diferentes indicações de uso, como agente de limpeza,
desodorizante, sanitizante, desinfetante, fungicida, viricida ou para uso hospitalar,
institucional ou industrial.
Outras informações importantes sobre o rótulo do produto que precisam ser
consideradas são:
- Eficácia do produto sob determinadas condições. Nos EUA, o teste do
produto para a EPA requer testes sob condições de água com até 400ppm de
dureza (CaCo3) na presença de contaminação de 5% de soro para similar a eficácia
dos produtos em condições de campo. Se o produto for testado em outras
condições, estas devem ser listadas no rótulo.
- Ingredientes ativos. Os ingredientes ativos do produto são listados em
percentagens e são as substâncias químicas responsáveis pelo controle dos
microorganismos.
- Ingredientes inertes. Os ingredientes inertes geralmente estão agrupados
e incluem ingredientes como detergentes, surfactantes, EDTA, citrato de sódio,
isopropanol, corantes, perfumes e água. Os ingredientes inertes têm um papel
importante na eficácia geral de um produto, tornando-o mais eficaz que um produto
similar que contém apenas um ingrediente ativo e água.
- A declaração de precaução descreve os potenciais riscos do produto
(para pessoas e animais) e ações para diminuir estes riscos (como, usar luvas ou
óculos de proteção). São usadas palavras indicativas do grau de risco. Os descritores usados são cuidados, aviso importante, perigo e perigo-veneno, sendo
que cuidado é utilizado para o de menor risco e perigo-veneno, para o de maior
risco.
- A seção de primeiros socorros lista a ações a serem tomadas no caso de
ingestão, inalação ou contato acidentais com o produto. Podem estar incluídas
notas com informações médicas específicas.
- Declarações adicionais de precaução contidas no rótulo incluem
informações adicionais de segurança e precaução, como perigos ambientais, físicos
e químicos (como corrosão e incêndio) e informações de armazenamento e
descarte.
- A seção instruções de uso indica o que o produto controla, assim como
onde, como e quando usá-lo. Alguns produtos têm múltiplos usos (limpeza versus
desinfecção), requerem diluições ou tempo de contato diferentes para estas ações
específicas (sufixo cida versus sufixo stático) e também o melhor método de
aplicação (spray direto ou passar na superfície).
Considerações e avaliação de um plano de ação de limpeza e desinfecção
Antes de selecionar os agentes de limpeza e desinfetantes a serem usados em
um protocolo de higiene, diversos fatores devem ser levados em conta. Alguns
desinfetantes são eficazes para protocolos de desinfecção de rotina na granja e no
incubatório, mas são necessários outros para situações de surto (controle de
emergência de doenças). Em um protocolo eficaz de desinfecção, deve ser considerado
o microorganismo a ser atingidas, as características de um desinfetante específico e
questões ambientais. Além disso, a saúde e a segurança dos funcionários e dos
animais sempre é uma consideração especial.
Em granjas e incubatórios, recomenda-se usar um detergente específico para
granjas, especialmente desenvolvido para funcionar nestas condições e remover os
desafios de sujeira normalmente encontrados em instalações que alojam animais. O
detergente selecionado deve ser compatível com o desinfetante que será aplicado
depois.
A seleção do equipamento de aplicação é um fator-chave para obter o máximo
dos produtos selecionados. As aplicações com espuma requerem uma máquina de
fazer espuma. Este tipo de aplicação, mais usado em incubatórios e abatedouros,
permite mais tempo de contato com superfícies e sujeira e ajudam a visualizar as áreas
tratadas. Em galpões avícolas, o equipamento ideal para aplicação de detergentes é o
jato de água de alta pressão.
A seguir algumas dicas para uso de alta pressão:
• Adaptar a mangueira de água no equipamento. Verificar os níveis de
combustível e óleo (se o motor for à gasolina). Ligar a máquina.
• Lavar o galpão e os equipamentos com água misturada com detergente.
Usar pressão baixa para que a água e o detergente não espirrem.
• Lavar a uma distância de 65 a 100 cm da superfície que está sendo
lavada. Começando do ponto mais baixo das máquinas para o mais alto. Evitando
que a água escorra.
• Aplicar detergente suficiente para dissolver a sujeira da superfície que
você está lavando.
• Espere 5-10 minutos para que o detergente comece a dissolver os
resíduos.
• Utilizar alta pressão para começar a retirar a sujeira da superfície.
• Enxágüe – usar água limpa em abundância para retirar a sujeira.
Começando no ponto mais alto. Isto evita que a sujeira escorra sobre as áreas já
limpas e enxaguadas. Os melhores resultados são obtidos com o ângulo de spray
mais aberto (25 ou 40 graus).
• Deixar que as superfícies secassem antes de aplicar o desinfetante.
Há várias formas de aplicar desinfetantes. As superfícies de objetos e paredes
de um prédio podem ser tratadas com uma solução de desinfetante com pano, pincel ou
spray. Os ovos podem ser desinfetados por imersão, fumigação ou spray. Bandejas e
caixas podem ser desinfetadas com equipamentos automáticos. Os desinfetantes
podem ser aplicados em spray com o mesmo lavador de alta pressão (previamente
enxaguado) usando baixa pressão. O essencial é molhar todas as superfícies
adequadamente. Para aplicações aéreas, podem-se usar atomizadores elétricos ou
nebulizadores térmicos. Estes aplicam o desinfetante em gotículas que permanecem
flutuando no ar por períodos mais longos e são capazes de cobrir grandes áreas de
forma mais rápida e econômica que os sprays manuais. Finalmente, em galpões
avícolas, o sistema de nebulizadores também pode ser usado para este propósito.
Recomenda-se usar bicos de plástico ou de aço inoxidável para evitar a corrosão
causada por alguns produtos.
Através de limpeza e da desinfecção, o uso de macacões limpos e pedilúvios é
essencial para evitar a disseminação de vírus por fômites. Estes aspectos do manejo
devem ser realizados sempre, e especialmente durante surtos de doença.
A boa higiene depende de seis etapas diferentes:
1. Retirada de equipamentos portáteis.
2. Limpeza com detergentes específicos para uso em granjas.
3. Desinfecção final e nebulização.
4. Secagem antes da entrada do novo lote.
5. Monitoramento regular (auditorias).
6. Lidar com outras ameaças invasivas (roedores e insetos) através de um
programa de manejo integrado de pragas.
Avaliação do protocolo de limpeza e desinfecção
A primeira etapa de um protocolo eficaz de desinfecção envolve uma avaliação
completa do problema através de uma auditoria de biosseguridade da granja ou
incubatório. Isto inclui identificar e avaliar o agente infeccioso suspeito, seu meio de
transmissão, áreas potencialmente afetadas e a seleção do desinfetante químico
correto. Como os animais doentes têm contato com uma ampla gama de elementos
(como galpões, equipamentos, comedouros, bebedouros, pessoas), todos os elementos
do ambientes devem ser considerados e avaliados em termos de contaminação.
Embora a inspeção visual da limpeza seja importante, devem ser coletadas amostras
bacteriológicas para determinar a eficácia do protocolo de limpeza e desinfecção.
Falhas no programa de desinfecção podem estar relacionadas à seleção de um
desinfetante ineficaz, uso descuidado de um desinfetante eficaz ou fatores ambientais,
como temperatura, umidade relativa e pH. O momento da coleta de amostras é
importante. O melhor momento de coletar amostras é dois a três dias depois da
desinfecção. Caso isto não seja possível, amostras as superfícies pelo menos 30
minutos depois da desinfecção. As amostras para análises microbiológicas não devem
ser coletadas de uma superfície úmida (o desinfetante ainda pode estar agindo e os
seus resíduos podem inibir o crescimento de microorganismos nos meios de cultura).
Portanto, deve-se deixar que área amostrada seque antes de coletar amostras.
Amostras de superfícies pequenas e lisas podem ser coletadas esfregando um meio
umedecido e com capacidade de absorção (suabe estéril) sobre superfícies nãoporosas.
Para áreas maiores, podem ser usadas tiras de gaze estéril. Além disso, todas
as etapas do plano de ação de limpeza e desinfecção (avaliação, limpeza, lavagem e
sanitização, desinfecção) devem ser avaliadas em relação aos problemas encontrados
e à utilidade ou eficácia das técnicas de limpeza e desinfecção. Auditorias periódicas da
granja conduzidas por especialistas em biosseguridade são muito úteis para detectar e
corrigir estes problemas.
O fator biofilme
Os biofilmes são comunidades de microorganismos (principalmente bactérias)
que estão dentro de uma matriz de polissacarídeos (EPS) produzidos pelas bactérias e
que aderem a uma superfície viva ou a uma superfície inerte. Na natureza, os biofilmes
são uma forma de crescimento protegido que permite que as bactérias sobrevivam em
ambientes hostis. As estruturas que formam estas micro-colônias contêm canais,
através dos quais os nutrientes circulam e, em diferentes zonas do biofilme, as
bactérias expressam genes diferentes, como se fossem parte de uma estrutura
organizada.
A idéia geral é que as bactérias individuais são expostas a agentes encontrados
no ambiente (incluindo, por exemplo, a possibilidade de se tornarem alvo de um
desinfetante), enquanto que, dentro do biofilme, estas células são protegidas
(Costerton, 1999).
A formação de biofilme consiste da adesão inicial, formação de micro-colônia e
produção de EPS, seguida de maturação (Davey & O’Toole, 2000). A transição
bacteriana de estado planctônico para séssil é desencadeada por sinais ambientais.
Geralmente, os ecossistemas naturais têm poucos nutrientes e a formação de biofilme é
uma adaptação importante para a sobrevivência nestas condições (Mittelman, 1998).
Estudos de espécies bacterianas em sistemas naturais mostraram que a agregação
pode envolver o recrutamento de células planctônicas do meio circundante como
resultado de comunicação célula-a-célula (quorum sensing) (McLean et al., 1997; Pesci
et al., 1999).
Os biofilmes podem se formar em áreas úmidas mesmo com nutrientes
mínimos, mas a presença de nutrientes e umidade estimula o crescimento. Se for
permitido que se formem biofilmes, a limpeza da superfície se torna mais difícil por casa
da presença do EPS de adesão.
Um detergente específico para granjas não apenas solta o depósito gorduroso
da matéria fecal em torrões, permitindo a remoção de bactérias para que o desinfetante
possa atuar, como também danifica o biofilme que permanece. Um detergente facilita a
ação dos desinfetantes. Foram realizados diversos experimentos por cientistas que
determinaram que fosse necessário um bom tempo de contato para que o detergente
comece a remover o biofilme. Também concluíram que a aplicação de um desinfetante
é essencial para inativar os microorganismos que permanecem na superfície depois da
limpeza (Dunsmore et al., 1981).
Agentes oxidantes, como ácido peracético, peróxido de hidrogênio e compostos
peroxigênicos, constituem a melhor opção de desinfetantes para lidar com biofilmes.
Os biofilmes fornecem um nicho ideal para a troca de DNA extra-cromossômico
(plasmídeos). Como os plasmídeos podem codificar para resistência a diversos agentes
antimicrobianos, o biofilme também fornece um mecanismo para a seleção e a
disseminação bacteriana a agentes antimicrobianos.
Em geral, os produtos desinfetantes e sanitizantes precisam ser mais
concentrados para ter esta atividade biocida na presença de biofilmes. Isto deve ser
levado em conta na elaboração de protocolos de desinfecção.
Considerações econômicas
As considerações econômicas são importantes (mas não as mais importantes)
ao escolher um desinfetante. Os fatores mais importantes a considerar são:
• eficácia comprovada contra organismos de difícil eliminação
• segurança para o operador, animais e equipamentos e impacto
ambiental.
• o custo deve vir depois que todos estes requisitos foram satisfeitos.
Os desinfetantes variam em custo, tempo de contato e diluição e, portanto, o
custo deve ser sempre calculador em termos de litro de uso ou diluição e não pelo custo
do concentrado. É extremamente importante que o fator de diluição considerado seja
comprovadamente eficaz em condições de campo e não apenas a concentração que
passou por condições ideais de laboratório.
Os protocolos de desinfecção são meios econômicos de reduzir os organismos
patogênicos. Por exemplo, um produto que custa R$10,00 por litro de concentrado
custará R$0,40 por litro diluído (4cc de concentrado por litro de água). Considerando
que um litro de desinfetante obre aproximadamente três a quatro metros quadrados, o
custo de desinfetar 1000m2 seria de R$10,00. É importante saber que os
microorganismos têm diferentes suscetibilidades a desinfetantes (Figura 3). É provável
que um desinfetante não seja o mesmo para galpões, equipamentos, incubatórios,
veículos, sistema de água, etc. É essencial levar em conta as características do
desinfetante para selecionar o produto mais útil, eficaz e econômico para cada situação.

Consideraçõe de segurrança
A mayoría dos desinfectantes causa irritação nos olhos, pele ou trato respiratorio e, por tanto, a seguranca de todos os funcionários deve ser levada em conta. É esencial realizar treinamento dos procedimentos carretos de armazanamento, mistura e aplicação. Equipamento de proteção individual (EPI), como luvas, máscaras e óculos de proteção, devem ser usados durante a mistura e aplicação de desinfetantes. Todos os desinfetantes químicos possuem uma folha de dados de segurançã do material (FDSM) listando a estabilidade, os riscos e a proteção individual necesaria, assim como informações de primeiros socorros. Estas informações devem estar sempre disponiveis aos funcionários.
Principias grupos de desinfetantes químicos
Os desinfetantes são classificados por sua estrutura química e cada classe tem
características, riscos, toxicidade e eficácia únicas. Como mencionado acima,
condições ambientais, como presença de matéria orgânica, pH e dureza da água
podem influenciar a ação de um desinfetante. Portanto, antes de usar qualquer
desinfetante químico, deve-se ler e seguir as instruções do rótulo.
As principais classes de desinfetantes e suas características são:
• ÁLCALIS E ÁCIDOS - as propriedades desinfetantes de ácidos e álcalis
minerais fortes são proporcionais à extensão de sua dissociação na solução. Alguns
hidróxidos são mais eficazes do que os valores preditos. Em geral, os ácidos são
melhores desinfetantes que os álcalis. O mecanismo de ação é atribuído ao
aumento de espécies de H+ e OH- nas soluções, interferindo com certas funções
microbianas. Todavia, o efeito total não depende apenas do pH. Os ácidos
orgânicos fracos são mais potentes que os inorgânicos, apesar das baixas taxas de
dissociação em solução. Sua ação é atribuída à ruptura das estruturas secundária e
terciária das enzimas e proteínas estruturais. Exemplos deste grupo são o ácido
acético, o ácido cítrico e o hidróxido de sódio (soda cáustica). O carbonato de sódio
(cal) tem sido usado em solução a quente para desinfetar galpões avícolas. É mais
eficaz como agente de limpeza do que como desinfetante, uma vez que não é
eficiente contra algumas bactérias e contra a maioria dos vírus. Geralmente se
recomenda uma solução a 4%. No entanto, tem baixa atividade na presença de
matéria orgânica e pode ser desativado por água dura. O uso de formulações
modernas de desinfetantes é uma opção mais segura, inteligente e barata.
• ÁLCOOIS - são agentes antimicrobianos de amplo espectro que
danificam os microorganismos por desnaturação de proteínas, causando dano à
membrana celular e lise celular. Os álcoois são usados para a desinfecção de
superfícies, como anti-séptico tópico e loções sanitizantes para as mãos. Os álcoois
são considerados de ação rápida e são capazes de matar a maioria das bactérias
em cinco minutos de exposição, mas têm atividade viricida limitada e são ineficazes
contra esporos. O etanol é considerado viricida, já o isopropanol não age contra
vírus não-envelopados. Uma consideração importante em relação aos álcoois é a
concentração usada, sendo 70 a 90% a ideal. Não são desinfetantes adequados para operações avícolas e seu uso é mais comum em hospitais e clínicas
veterinárias como desinfetantes tópicos.
• ALDEÍDOS - os aldeídos têm amplo espectro germicida. Os
glutaraldeídos são bactericidas, viricidas, fungicidas e, em altas concentrações (2%)
e longo tempo de contato, esporicidas. Têm atividade residual moderada e são
eficazes na presença de matéria orgânica. Os produtos à base de glutaraldeído
devem ser usados a um mínimo de 1000ppm de ingrediente ativo em superfícies
limpas. Se as superfícies não estiverem limpas, são necessárias concentrações
mais altas do ativo. O glutaraldeído é mais ativo em pH alcalino que ácido. Quanto
mais o pH externo passar de ácido a alcalino, mais sítios reativos se formarão na
superfície da célula, levando a um efeito bactericida mais rápido. Por outro lado, a
estabilidade do glutaraldeído é maior em pH mais baixo. Vários desinfetantes à base
de glutaraldeído são formulados com compostos de amônia quaternária para
melhorar sua capacidade detergente. O mecanismo de ação do glutaraldeído
envolve uma forte associação com as camadas externas das células bacterianas,
especificamente as aminas não-protonadas da superfície celular, que possivelmente
são os sítios reativos. Os formaldeídos, incluindo o formol, são desinfetantes muito
potentes, mas podem ser muito tóxicos para humanos e animais. O formol é uma
solução aquosa contendo 34 a 38% de CH2O com metanol para retardar a
polimerização. O formaldeído é bactericida, esporicida e viricida, mas funciona mais
devagar que o glutaraldeído. É difícil determinar com precisão o mecanismo
responsável pela inativação microbiana induzida pelo formaldeído. As suas
propriedades interativas e de formação de ligações cruzadas certamente têm um
papel importante nesta atividade. Os produtos de formaldeído devem ser usados
apenas como último recurso e sob a supervisão treinada em um local bem ventilado.
Seno que, para se um desinfetante realmente eficaz, a concentração certa, que é
entre 3 e 5% deve ser usada e não 1% ou menos, como se observa às vezes a
campo. O paraformaldeído é um polímero sólido de formaldeído. O paraformaldeído
gera gás de formaldeído quando é despolimerizado por aquecimento a 232 a 246°C.
O material despolimerizado reage com a umidade do ar para formar gás de
formaldeído. Este processo é usado para a descontaminação de capelas de
segurança biológica de fluxo laminar grandes, quando o trabalho de manutenção ou
a troca de filtros demanda acesso à parte vedada da capela. O uso de equipamentos de proteção individual adequados é essencial para a manipulação de
formol e produtos afins.
• FENÓIS - fenólicos são derivados do fenol (ácido carbólico). Estes
biocidas atuam através de dano na membrana. Os fenóis são ativos contra bactérias
(especialmente Gram +) e vírus envelopados. Dependendo da formulação (nem
todos os produtos são iguais), alguns fenóis podem não ser eficazes contra vírus
não-envelopados e esporos. A substituição do halogênio intensifica a potência
biocida dos derivados dos fenóis. A introdução de grupos aromáticos no núcleo dos
fenóis halogenados aumenta a sua potencia bactericida. Os desinfetantes fenólicos
(especialmente os fenóis naturais) funcionam melhor que outros desinfetantes sob
desafio de matéria orgânica e, portanto, são mais úteis em pedilúvios, rodolúvios,
cama, pisos de terra batida e outras áreas cuja matéria orgânica não pode ser
completamente removida ou cuja limpeza é deficiente. Têm boa atividade residual.
Sabe-se há muito que, embora sejam freqüentemente designados como “venenos
protoplasmáticos gerais”, os fenóis atuam sobre a membrana, o que contribui para
sua atividade geral (Denyer, 1995). Os fenóis possuem propriedades antifúngicas e
antivirais. Sua ação antifúngica envolve dano à membrana plasmática, resultando
em vazamentos do conteúdo intracelular (Russell, 1996). Os fenóis podem ser
derivados do alcatrão (ácidos de alcatrão de alto ponto de ebulição) ou formulações
sintéticas e geralmente tem aparência leitosa ao serem adicionados à água e um
odor forte, típico de fenol ou pinho. Os desinfetantes fenólicos geralmente são
seguros para humanos, mas a exposição prolongada da pele pode causar irritação.
Concentrações acima de 2% são muito tóxicas para todos os animais,
especialmente gatos.
• COMPOSTOS PEROXIGÊNICOS - agentes oxidantes são compostos de
amplo espectro, à base de peróxido, que funcionam desnaturando as proteínas e os
lipídios dos microorganismos. Sua capacidade microcida varia, mas são
considerados eficazes quando usados em superfícies rígidas e equipamentos. Na
forma diluída, estes agentes são seguros, mas pode ser irritantes e danificar as
roupas, quando concentrados. Alguns compostos peroxigênicos modernos têm
atividade ampla, contra vírus, bactérias, fungos e esporos. Este tipo de produto
incorpora um detergente na fórmula para ajudar a reduzir a tensão superficial, permitindo um maior contato com o microorganismo. Em geral, os compostos
peroxigênicos não prejudicam o meio ambiente e não são mutagênicos. Peróxido de
hidrogênio, ácido peracético e monopersulfato de potássio são as melhores opções
disponíveis. Produtos à base de ácido peracético e monopersulfato de potássio são
bastante usados na avicultura em todo o mundo. Têm amplo espectro de ação e não
prejudicam o ambiente. A química oxidativa é atraente como base da desinfecção
porque agem rápido, não apresentam evidências de resistência microbiana, têm
amplo espectro de atividade, são eficazes na remoção de biofilmes e não
prejudicam o ambiente.
• COMPOSTOS DE AMÔNIA QUATERNÁRIA (CAQ) - os CAQ são
produto de uma reação de substituição nucleofílica de alquil halidas por aminas
terciárias. Embora o mecanismo de ação dos compostos de amônio quaternário
ainda não tenha sido descrito em detalhes, há explicações para o mecanismo de
ação de desinfetantes catiônicos em geral. Uma das principais considerações ao
examinar o mecanismo de ação é a caracterização de compostos de amônia
quaternária como surfactantes catiônicos. Esta classe de substâncias químicas
reduz a tensão superficial nas interfaces e é atraída por superfícies com carga
negativa, incluindo microorganismos. Os compostos de amônia quaternária
desnaturam as proteínas das células de bactérias e fungos, afetam as reações
metabólicas e permitem que substâncias vitais vazem para fora das células,
causando sua morte. Em 1935, Dogmack elucidou a atividade antibacteriana dos
sais de amônio quaternário de cadeia longa. Depois de várias gerações, foram
desenvolvidos compostos de amônia quaternária de importância comercial. O valor
dos ingredientes ativos pode aumentar através da formulação e de misturas
sinérgicas.
A classificação das gerações de compostos de amônia quaternária pode causar
confusão. As definições atuais das diferentes gerações de compostos de amônio
quaternário são as seguintes (Block, S 1991) (Buck, K):
1) Primeira geração: cloretos de benzalcônio (exemplo: cloreto de benzalcônio).
Estes têm a menor atividade biocida relativa e são geralmente usados como
conservantes.
2) Segunda geração: cloretos de benzalcônio substituídos (exemplo: cloreto
de alkil-dimetil-benzil amônio). A substituição do anel aromático de hidrogênio por cloro e grupos metila e etila resultaram nestes compostos de amônio quaternário de
segunda geração, com alta atividade biocida.
3) Terceira geração: compostos de amônia quaternária duais (exemplo:
contém uma mistura em partes iguais de cloreto de alquil-dimetil-benzil amônio +
cloreto de alquil-dimetil-etilbenzil amônio). Estas misturas de dois compostos de
amônio quaternário específicos resultaram em um produto duplo, que oferece maior
atividade biocida, maior capacidade de detergente e maior segurança para o usuário
(toxicidade relativamente baixa).
4) Quarta geração: compostos de amônia quaternários duplos ou de cadeia dupla –
di-alquil aminas (exemplo: cloreto de didecil-dimetil amônio e cloreto de dioctildimetil
amônio). Os compostos de quarta geração têm maior poder germicida,
formam menos esputam e têm maior tolerância para proteína e água dura.
5) Quinta geração: as misturas de compostos de amônio quaternário de segunda
geração (exemplo: cloreto de didecil-dimetil amônio + cloreto de alquil-dimetil-benzil
amônio). Estes compostos têm excelente desempenho germicida, são ativos sob
condições mais hostis e são mais seguros de usar.
Estas informações têm caráter geral. Nem sempre um desinfetante CAQ é
melhor que um de quinta geração. Os componentes não-germicidas de um
desinfetante (ingredientes inertes) também influenciam o seu desempenho geral. É
por isso que, como mencionado anteriormente, os produtos formulados em geral
são melhores opções que substâncias químicas simples. Ingredientes inertes, como
EDTA, citrato de sódio, surfactantes, isopropanol, são essenciais para diminuí-la a
sensibilidade dos CAQ à água dura e à matéria orgânica. Embora consideradas
como padrão oficial, as definições das gerações de CAQ apresentadas acima
podem ser diferentes. Independentes disso, os exemplos dados apresentam
fornecem uma visão da evolução dos desinfetantes e santizantes à base de amônio
quaternário. Os CAQ têm certo efeito residual, mantendo as superfícies
bacteriostáticas por um breve tempo. São mais ativos em pH neutro a levemente
alcalino, mas perdem atividade em pH menor que 3,5. Os CAQ são consideráveis
estáveis no armazenamento, mas geralmente são facilmente inativados por matéria
orgânica, detergentes, sabões e água dura (isto pode variar de acordo com a
geração). Os CAQ são tóxicos para peixes e não devem ser descartados em fontes
de água.
• CLORO E COMPOSTOS DE CLORO - cloro disponível pode ser definido
como uma medida da capacidade oxidante e é expresso em termos de quantidade
equivalente do elemento cloro. A concentração de hipocloreto (ou qualquer
desinfetante oxidante) pode ser expressa como cloro disponível determinante a
quantidade eletroquímica equivalente de Cl2 no composto. Em água clorada, certa
quantidade de cloro será consumida pelas impurezas da água e o cloro não
consumido permanecerá como cloro residual disponível. A diferença entre o cloro
aplicado e o cloro remanescente na água é chamada de demanda de cloro desta
água. Na cloração, é adicionado cloro suficiente para atender a demanda inicial da
água e é adicionado cloro extra para fornecer um resíduo de cloro livre disponível.
Isto é útil quando se prepara um protocolo de desinfecção de sistemas de água em
granjas avícolas, quando se deseja cloração marginal.
O cloro em solução aquosa, mesmo em quantidades muita pequenas, tem ação
bactericida rápida. O mecanismo de ação ainda não foi bem elucidado, apesar da
grande quantidade de pesquisas. Quando o cloro é adicionado à água, forma ácida
hipocloroso (HOCl). Andrewes at al (1904) foram os primeiros cientistas e sugerirem
que o HOCl era responsável pela destruição de microorganismos. Nunca foi
demonstrada a forma exata com que o ácido hipocloroso destrói os
microorganismos, mas especula-se que o ácido hipocloroso ajuda a emergência do
oxigênio, que por sua vez se combina com componentes do protoplasma, destruindo
o microorganismo. Os pesquisadores supuseram isto por causa do baixo nível de
cloro necessário para a ação bactericida – o cloro deve inibir algumas reações
enzimáticas essenciais na célula. A inibição destas reações metabólicas
citoplasmáticas é responsável pela destruição de células bacterianas e fúngicas. A
dissociação do HOCl depende do pH e do equilíbrio entre o HOCl e o OLC-, embora
o HOCl seja constantemente consumido através de sua ação biocida (Baker, 1959).
A eficácia desinfetante do cloro diminui com o aumento do pH e vice-versa. Isto está
relacionado a alterações na concentração de HOCl não-dissociado. A concentração
de HOCl está intimamente relacionada com a velocidade de eliminação. Foi
demonstrado que os compostos clorados afetam o antígeno de superfície de vírus
envelopados e o DNA, e provocam alterações estruturais em vírus nãoenvelopados.
Os desinfetantes à base de hipoclorito são corrosivos e afetados por
matéria orgânica (consume o cloro disponível), temperatura e pH, mas não pela
dureza da água.
Os compostos à base de cloro mais comuns são:
• Cloro líquido
• Hipocloretos – líquido e sólido. Comumente usados em granjas no
processo de limpeza e na desinfecção do sistema de água.
• Dióxido de cloro – para a desinfecção da água, tratamento da água
servida, controle de limo e como desinfetantes em abatedouros avícolas.
• Cloraminas orgânicas.
• COMPOSTOS DE IODO - o iodo, principalmente me sua forma
molecular, pode penetrar rapidamente a parede celular de microorganismos (Chang,
1971). A morte dos microorganismos pelo iodo pode ser causada por sua
incapacidade em sintetizar proteínas devido à oxidação de um importante
aminoácido, pelo aumento do número de molecular de aminoácidos, que leva à
desnaturação do DNA, ou a adição de iodo a ácidos graxos insaturados pode levar a
uma alteração na propriedade física dos lipídios. Observações em microscopia
eletrônica sustentam a conclusão que o iodo, por interagir com as ligas duplas dos
fosfolipídios, causa dano à parede celular, levando a uma perda de material
intracelular. Halógenos, como o cloro e o iodo, reagem não só com microorganismos
vivos, mas também como os microorganismos mortos e com proteínas dissolvidas.
Em contraste com o cloro, que produzem compostos oxidantes e bactericidas Ncloro,
a eficácia do iodo é menor porque não são formados compostos N-iodo. Os
iodóforos (como são comumente vendidos a maioria dos desinfetantes) são um
complexo formado pelo elemento iodo com um veículo (polímeros neutros), que tem
3 funções principais: aumentar a solubilidade do iodo, fornecer um reservatório de
liberação contínua do halógeno e reduzir o equilíbrio de iodo molecular livre. Embora
a atividade germicida seja mantida, os iodóforos são menos ativos contras certos
fungos e esporos do que as tinturas (Rutala, 1995).
Produtos à base de iodo podem ser usados como desinfetantes e anti-sépticos.
Têm um bom espectro de ação, mas os desinfetantes modernos disponíveis hoje
são muito mais eficazes no controle dos desafios de doença enfrentados pela
avicultura. Por exemplo, são necessárias 15ppm de iodo residual ativo (I2) para
inativar vírus entéricos (99,99%) em 10 minutos (Chang, 1971).
• BIGUANIDAS – um ejemplo é clorexidina. As biguanidas são prejudiciais ppara os microorganismos por reagirem com os grupos de carga negativa na membrana celular, alterando a sua permeabilidade. As biguanidas tem amplo espectro antibacteriano, mas sua eficacia contra virus é limitada e não são esporicidas, micobactericidas ou fungicidas. As biguanidas funcionam apenas dentro um intervalo estreito de pH (5,0 a 7,0) e são fácilmente inativas por sabões e detergentes. Estes produtos são toxicos para peixes e não devem ser descartados no embiente. Aclorexidina é comumente usada com agente enti-séptico em sabões antibacterianos.
A Figura 4 mostra a acão biocida de diferentes desinfetantes quimicos.

Breves comentários sobre a resistência a desinfetantes e a rotação de
desinfetantes
Este assunto é muito longo e complexo para ser discutido aqui e o propósito
desta revisão não é fornecer muitos detalhes. No entanto, alguns comentaários devem
ser feitos. Excesso de uso… esta palavra soa como um aviso. Uma quantidade
excessiva de uma coisa boa pode ser uma coisa ruim. Há inúmeros relatos sobre a
resistência microbiana a antibióticos e a biocidas. Já foram relatados cases de
resistência cruzada entre estes grupos de substâncias. Sensibilidade e resistência são
termos relativos. Diz-se que os microorganismos são resistentes quando não são
mortos por uma concentração de uma droga quimioterápica normalmente usada in vivo
(concentração no soro) ou por um desinfetante em uma concentração usada na prática,
quando não são mortos pela concentração de uma droga que mata a maiorias das
células em uma cultura ou quando uma cepa não é morta por um agente que mata
cepas similares a uma concentração especificada. A resistência pode ser inata
(característica de uma espécie ou cepa) ou adquirida (por mutação ou transferência de
resistência). A transferência de resistência geralmente ocorre pelo cruzamento de
bactérias Gram. negativas durante o processo de conjugação.
A resistência, que é um fenômeno geneticamente determinado, deve ser
diferenciada de processos fenotípicos de adaptação, que não são hereditários. A
adaptação pode ser evitada através de boas práticas de limpeza e desinfecção, usando
os detergentes adequados na lavagem e evitando o uso de desinfetantes em diluições
altas, abaixo de sua concentração biocida. Como mencionado anteriormente neste
artigo, é extremamente importante usar desinfetantes na concentração certa para matar
os microorganismos. Estas diluições devem ser comprovadamente eficazes em
condições de campo e de desafio (e não em condições ideais de laboratório). Na
maioria dos relatos, a resistência é definida como uma concentração inibitória mínima
(CIM) elevada.
Ao avaliar o impacto dos fenômenos de resistência sobre os protocolos de
limpeza e desinfecção, é importante diferenciar a resistência por concentração
microbiocida da resistência por concentração inibitória mínima. Esta não tem
necessariamente impacto sobre os protocolos de limpeza e desinfecção se os
desinfetantes forem usados em condições adequadas e na diluição correta.
A rotação de diferentes tipos de desinfetantes para evitar o desenvolvimento de
resistência tem sido motivo de controvérsia.
A rotação do uso de diferentes desinfetantes pode ser recomendada para evitar
o desenvolvimento de resistência ou seleção de cepas resistentes em um ambiente
freqüentemente desinfetado. Esta prática é bastante usada em granjas avícolas e
incubatórios, mas não necessariamente de maneira correta. A rotação de desinfetantes
só é útil se forem aplicados desinfetantes com ingredientes ativos diferentes. Além
disso, segundo as definições de resistência descritas acima, foi demonstrada
resistência cruzada entre diferentes ingredientes ativos (Langsrud et al., 2003). Se a
rotação for usada para evitar problemas de resistência, devem ser escolhidos
ingredientes ativos com mecanismos de ação completamente diferentes. Nesta revisão,
foi mostrado que os diferentes grupos químicos atuam de formas diferentes para obter
sua ação biocida. Por outro lado, esta rotação tem causado controvérsias (Meyer,
2000). Se os desinfetantes forem usados em concentrações microbiocidas e a
resistência for definida como aumento da CIM, a resistência não significa que os
micróbios vão sobreviver à desinfecção.
A comprovação científica de que o uso de rotação de desinfetantes evita
problemas é escasso. No entanto, é interessante investigar a presença da microflora
residual depois da desinfecção para detectar o desenvolvimento de uma flora resistente.
O desenvolvimento desta flora pode ser evitado aumentando a concentração do
desinfetante ou usar desinfetantes com ingredientes ativos diferentes.
Em condições práticas, a maioria dos problemas de desinfecção está de fato
relacionada com a pseudo-resistência (Heinzel, 1998). Deve-se escolher um
desinfetante com um espectro adequado de eficácia para evitar problemas de
resistência é o primeiro passo para desenvolver um bom protocolo de limpeza e
desinfecção em operações avícolas. Adaptar freqüências, técnicas e procedimentos de
limpeza e desinfecção para evitar ou minimizar a formação de biofilmes é outro ponto
crucial. Um modo de aplicação que assegure o contanto intenso das superfícies a
serem desinfetadas com o uso correto da concentração e evitar a diluição pelo produto
residual ou água de enxágüe previne o desenvolvimento de adaptação fenotípica.
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Autor: Eng. Agr. Gerardo Grezzi - Consultor em Biosseguridade
Data de publicação: 11/06/2008
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Fumonitest
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DON test HPLC
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• Amplo Alcance - Mede até 10 ppm.
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