Re: Experto en pastos tropicalesCaro Mario,
A setaria anceps ou sphacelata apresenta 3 cultivares mais utilizadas no Brasil, que são a kazungula, a nandi e a narock das 3 a de maior destaque tem sido a kazungula. Provavelmente por apresentar maior porte e tolerar melhor o frio e solos rasos e muito úmidos.
É uma forrageira que apresenta uma boa produção de MS ( de 9 a 14 toneladas ), com mediana qualidade nutricional ( digestibilidade média e proteína ao redor de 8 a 9 da MS ).
Forrageira tolerante ao frio ( geadas em torno de zero graus centígrados matarão perfilhos e queimarão a parte aérea, mas muitas plantas sobreviverão ) e de resistência moderada à seca ( secas não prolongadas resiste ao fogo, rebrotando com um mínimo de umidade ), aparentemente com certa resistência ao salivaso, tem como incoveniente uma maior concentração de oxalatos em seus tecidos. Tolera solos ácidos, salinos e pobres em nutrientes, porém apresentará resultados agronômicos elevados em solos corrigidos e férteis.
O manejo rotacionado, com ocupações não superiores a 3 dias e descanso em torno de 35 dias, resolve em parte o problema dos oxalatos, já que sua maior concentração está nas folhas jovens e brotos. Até esta idade de rebrote não apresentará problemas de palatabilidade. Respeitar uma altura de resíduo em torno de 20cm do chão, quando o gado deverá ser retirado do piquete. Animais não acostumados à esta forrageira deverão passar por um período de adaptação à mesma.
Aqui no Brasil tem sido muito utilizada em áreas de baixadas úmidas, principalmente por pecuaristas de leite. Aqui vou levantar uma hipótese: o fato desta forrageira ser utilizada com sucesso para vacas de leite pode estar ligado ao fato de que estes animais normalmente recebem algum tipo de alimento no cocho ( volumoso - como capim elefante picado, silagens, fenos -, concentrados, etc ). Isto faz com que a setaria não seja o único volumoso ingerido, e se o o for, o acréscimo de uma fonte de cálcio na dieta ( carbonato, fosfato, etc ) equilibra o desbalanço deste elemento, neutralizando o efeito dos oxalatos!
Sua taxa de semeadura está em torno de 1,5kg/ha de sementes puras viáveis. Não pode faltar P no plantio. Profundidade em torno de 3 cm.
Em regiões onde o clima seja frio, a setaria pode ser substituida por exemplo pelo pennisetum clandestinum, o kikuio, mas este não é muito tolerante ao excesso de umidade. Em regiões mais quentes e sujeitas à excessos de umidade ( inclusive encharcamento ), a
Brachiaria mutica ( angola ou bengo ), radicans/arrecta ( tanner grass ) ou o híbrido destas ( tangola ) são excelentes opções de substituição, inclusive com maior produtividade, porém, são reproduzidas por mudas, o que encarece e dificulta o processo de formação. Não me esqueci da
Brachiaria humidicola, que é das mais tolerântes ao encharcamento e tolera medianamente o frio, porém é a de menor valor nutricional. E há também a
Brachiaria humidicola cultivar dictyoneura, tolerante ao frio, moderadamente ao encharcamento e com valor nutricional superior à cultivar humidicola tradicional. Ambas reproduzidas por sementes.
Espero ter sido de alguma ajuda.
Cordialmente,
Helio Cabral Jr