Re: Experto en pastos tropicalesCaro Pedro,
Respondendo às suas inquietudes, vamos por partes:
A
Brachiaria platanginea aqui no Brasil conhecida como capim marmelada, não é muito produtiva e é pouco palatável para os animais.
O pasto TANGOLA realmente é um híbrido entre a
Brachiaria arrecta (
Brachiaria do brejo ou tanner grass ) e a
Brachiaria mutica (
Brachiaria angola ou bengo ). Ambas as plantas que deram origem a este híbrido suportam bem a umidade, sendo a B. arrecta bastante tolerante ao encharcamento. O problema, é que a B. arrecta é dotada de uma toxidez, e por isso os animais não devem pastejá-la por mais de 2 horas por dia além disso, sua reprodução está proibida no Brasil pelo motivo dela ser extremamente agressiva e de difícil erradicação e principalmente por hospedar e ser o criadouro de uma praga que dizima lavouras de arroz e ataca também outros cereáis e gramíneas. No híbrido tangola há um resíduo desta toxidez, não se recomendando que os animais permaneçam exclusivamente neste tipo de pasto por períodos prolongados.
Com relação às canaranas ou capins dágua ( echinochloa polystachia e pyramidalis ), ambas são resistentes ao encharcamento, sendo a E. polystachia nativa das américas e por isso extremamente resistente ao ataque de pragas. É também chamada de canarana peluda, devido à grande quantidade de pêlos que apresenta, os quais são muito incovenientes para nós humanos, pois provoca coceiras intensas, mas é bem palatável para os animais. O que você mencionou é verdade, a E. polystachia é um pasto de verão úmido, entrando em franca decadência e até perecendo em secas prolongadas. Já a canarana lisa ( E. pyramidalis ) também é palatável aos animais, produz bem no verão úmido e persiste em períodos secos, formando uma reserva de feno em pé ( na verdade é material forrageiro maduro e seco ) que servirá de fonte de fibra aos animais no período seco, desde que se dê também aos animais um sal proteinado para aumentar o consumo e a digestibilidade deste material fibroso. Basta uma pequena chuva para que a E. pyramidalis apresente um intenso e vigoroso rebrote. Este pasto é considerado o capim milagroso em muitas partes da áfrica, pois é uma opção forrageira para os animais o ano todo, mesmo em períodos secos.
Ambas as echinochloas são bastante produtivas se o terreno for fértil ( e normalmente as terras aluviáis e/ou inundáveis o são ), bastando dar-lhes uma reposição de fósforo ( P2O5 80 kg ) e adubação potássica e nitrogenada ( na ordem de 200 kg ) para se obter produções na casa das 25 ou 30 toneladas de MS.
Foi mencionado no início deste fórum o cynodon plectostachia, que é a estrela africana, uma grama muito resistente ao encharcamento, com altas produções de MS e com bom valor nutricional, sendo também resistente ao ataque de formigas e salivasos. Exige um pouco mais de fertilidade do solo e apesar de ter os estolões um pouco duros, é palatável para o gado.
Todas estas opções de pastos se reproduzem por mudas vegetativas, o que dificulta e encarece o plantio.
Mas há uma opção de pasto plantado por sementes que também é extremamente resistente ao encharcamento e que sobrevive à periodos secos, podendo também ser utilizado na forma de feno em pé ( apesar que sua qualidade é inferior a de outras brachiárias ), que é o capim fino, ou seja,
Brachiaria humidicola. É pastejada por equinos, só tendo-se o cuidado de equilibrar o sal mineral destes animais, pois este pasto apresenta concentrações mais altas de oxalatos. Não sofre com o ataque de salivasos, apesar de hospedá-los em regiões onde houver infestações desta praga. É um pasto que deve ser manejado mais baixo e com pastoreios frequentes, pois sua qualidade e digestibilidade caem muito com o passar do tempo.
Espero ter contribuído de alguma forma.
Cordialmente,
Helio Cabral Jr