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Autor: Dr Luiz Eduardo Ristow
Data de publicação: 07/12/2006
A importância dos testes sorológicos para um manejo Sanitário adequado na avicultura industrial é indiscutível hoje em dia para quem deseja ter o máximo de produtividade e controle da produção. Porém, embora muito utilizados, percebemos erros de interpretação destes resultados devido ao desconhecimento de alguns conceitos básicos. A proposta desta coluna de hoje é discutirmos alguns destes conceitos.
As análises para diagnóstico de doenças infecto-contagiosas podem ser caracterizadas como definitivas ou presuntivas. O teste definitivo é aquele que envolve o isolamento do agente, enquanto que o presuntivo mede a resposta do animal para a presença do agente. Os testes presuntivos são os mais utilizados pela praticidade, rapidez e custo relativamente baixo, porém devem ser interpretados com cautela pois podem levar a um diagnóstico errôneo devido a reação cruzada com outros agentes (falsos-positivos) ou por não detectarem animais recentemente infectados que ainda não soro-converteram. Portanto, todos os testes sorológicos devem ser considerados presuntivos da presença de um determinado agente infeccioso.
Valor Preditivo e Precisão: Sensibilidade e Especificidade
O título de teste sorológico é uma medida relativa da concentração de anticorpos. Na tabela 1 estão discriminados os testes sorológicos com o limiar de detecção de antígeno. Não confundir essa sensibilidade com o parâmetro da precisão do teste . O teste sorológico é baseado na capacidade do mesmo em diferenciar aves infectadas (não necessariamente doentes) de aves não infectadas.
Tabela 1 / Sensibilidade de testes imunológicos
| Técnica |
Capacidade de detecção de antígeno (mg/dl) |
| Eleroforese |
5 a 10 |
| Imunodifusão radical simples |
<1 a 2 |
| Imunodifusão dupla |
<1 |
| Eletroimunodifusão |
<0,5 |
| Fixação do complemento |
0,001 |
| Aglutinação |
0,001 |
| Elisa |
<0,001 |
| Radioimunoensaio |
<10-9 |
Para fazer uso dos testes sorológicos de forma adequada, precisa – se conhecer os pontos fortes e fracos do mesmo. Em outras palavras precisamos conhecer a precisão do teste e o grau de confiabilidade do mesmo. A precisão é a propriedade do teste de classificar corretamente uma amostra como positiva ou negativa e é expressa em termos de sensibilidade e especificidade. A confiabilidade do teste é expressa nos valores preditivos.
A Sensibilidade de um teste é definida como a probabilidade de um teste identificar corretamente uma ave positiva e a Especificidade como a probabilidade de um teste identificar corretamente uma ave negativa. Na tabela 2 é mostrado a associação existente entre o “status” da ave em relação a doença e o resultado do teste sorológico.
Tabela 2 / Tabela de contingência para cálculo de sensibilidade e especificidade.
| “status” do Teste |
“status” da Doença |
| |
Present |
Ausente |
| Positivo |
+a |
-b |
| Negativo |
-c |
+d |
Sensibilidade (S) é definida por 100 x a/(a +c )
Especificidade (E) por 100x d/(b+ d ).
Outro conceito importante é o de Valor Preditivo, tanto positivo quanto negativo, que se refere a confiabilidade do teste. Entende-se como Valor Preditivo Positivo (VPP) a probabilidade de uma ave positiva estar realmente infectada e Valor Preditivo Negativo (VPN) como a probabilidade de uma ave negativa não estar infectada ou seja, ser mesmo negativa. De acordo com a tabela 2 o VPP seria a/(a +b) e o VPN seria d/(c+ d ).
Amostragem
Outro ponto extremamente importante num exame sorológico é a determinação da amostragem para realizar o diagnóstico do Lote. Essa amostragem é função de diversos fatores, mas basicamente depende:
• da sensibilidade, especificidade, do valor Preditivo e do teste sorológico aplicado;
• da categoria da ave envolvida, da idade das aves, do perfil sorológico, da taxa de prevalência e tamanho do Lote no momento da amostragem;
• do grau de confiança ou erro da amostragem tolerados para se estabelecer o diagnóstico através de determinado teste sorológico.
Como determinar o número de amostras a remeter ao laboratório
Para determinarmos o número de amostras levamos em consideração a característica da Doença que estamos querendo verificar, ou seja o quão contagiosa a doença se apresenta e sua velocidade de disseminação. De um modo prático recomendamos que sejam remetidas no mínimo 22 amostras para monitoria do estado pós-vacinal e no caso de pesquisa para diagnóstico de doenças seja consultado o laboratório para a melhor amostragem racional e com menor custo. Todas as amostragens utilizadas devem ser cientificamente corretas e baseadas em Bioestatística, conforme a tabela 3.
Tabela 3 / Número de amostras a testar para se ter 90% de confiabilidade que a doença será detectada se presente em/ou acima dos 5 níveis de incidência ou contaminação.
| Tamanho do Lote ou População |
Nível de Incidência |
| 10% |
5% |
2% |
1% |
0,5% |
| 20 |
13 |
18 |
20 |
20 |
20 |
| 50 |
18 |
30 |
45 |
50 |
50 |
| 100 |
20 |
36 |
68 |
90 |
100 |
| 200 |
21 |
40 |
87 |
136 |
180 |
| 300 |
21 |
42 |
95 |
160 |
235 |
| 400 |
21 |
42 |
99 |
174 |
273 |
| 500 |
21 |
43 |
102 |
184 |
300 |
| 600 |
21 |
43 |
104 |
190 |
321 |
| 700 |
22 |
43 |
105 |
195 |
337 |
| 900 |
22 |
44 |
106 |
199 |
349 |
| 1.000 |
22 |
44 |
108 |
205 |
368 |
| 1.400 |
22 |
44 |
109 |
211 |
392 |
| 1.800 |
22 |
44 |
110 |
215 |
405 |
| 2.000 |
22 |
44 |
111 |
216 |
410 |
| 3.000 |
22 |
45 |
112 |
221 |
426 |
| 4.000 |
22 |
45 |
112 |
223 |
434 |
| 5.000 |
22 |
45 |
113 |
224 |
439 |
| 10.000 |
22 |
45 |
113 |
227 |
449 |
| 100.000 |
22 |
45 |
114 |
229 |
458 |
| Infinito |
22 |
45 |
114 |
229 |
459 |
Ao interpretar um resultado de exame sorológico tenha sempre em mente todos os dados acima, avalie se a amostragem foi realmente representativa da população em estudo.
Autor: Dr Luiz Eduardo Ristow
Data de publicação: 07/12/2006
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