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Brasil - MaltaCleyton expande suas operaçõesBrasil - MaltaCleyton expande suas operações - 23/07/2008
Após 4 anos fornecendo sua tecnologia e experiência de mais de 50 anos em nutrição animal, visando sempre agregar valor a criadores e distribuidores, o grupo maltaCleyton está preparado para expandir suas operações no Brasil. A partir de agora a empr
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Cama de frango na alimentação animal

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Autor: Fernando Augusto de Araújo, Pedro Nacib Jorge Neto, Marcos Antonio Gama Sundfeld.

Data de publicação: 07/06/2007


O extraordinário desenvolvimento das explorações avícolas, particularmente no setor de frango de corte, trouxe a possibilidade de aproveitamento da cama de frango para outras atividades, como adubo para agricultura ou fonte de proteína barata para nutrição animal (proibido recentemente por motivos de biosseguridade)1,2,3. Porém, à medida que a qualidade microbiológica dos alimentos, bem estar animal e impacto ambiental da produção de alimentos ganham cada vez mais destaque, faz-se necessário inserir a cama de frango nas discussões avícolas1, sendo esta um desafio físico e econômico a ser superado, levando em consideração o exemplo que um plantel de 100.000 galinhas poedeiras pode produzir 11.340 kg de esterco/dia2 e que a produção de frangos de corte em 2004 foi de 4,042 bilhões de unidades11 com uma produção média de 2,12kg/ave10, foram produzidas em 2004 8,569 milhões de toneladas de cama de frango.


Cama de Frango

Trata-se de uma mistura de substrato (conhecido como ‘cama’), de fezes, de penas e restos de ração3,4,6,7. A cama é produzida após cada criada, sendo normalmente reutilizada por até 3 vezes, após processo de redução de carga microbiana1,7, sendo os substratos utilizados hoje em dia subprodutos industriais ou restos de culturas agrícolas, como: marvalha; resíduos de beneficiamento industrial da madeira; sabugo de milho triturado; casca de arroz; palhadas de culturas em geral; fenos de gramíneas e cascas de amendoim 1,4,5.

A cama de frango pode ser um alimento de baixo custo e boa qualidade3,9, podendo ser uma boa fonte de proteína2,3,5,8,9,10, energia e minerais2,3,6,8,10. Sua composição química varia de acordo com o substrato, densidade de aves, tipo de alimentação, manejo da cama, tempo de armazenagem e altura da cama5. Contudo, apresenta de 14,4 a 40% de proteína bruta se considerada a matéria seca3,4,5, sendo que de 40 a 50% está sob forma de proteína verdadeira e o restante constituído por nitrogênio não protéico3,4,8. Os níveis de extrato etéreo variam de 0,4 a 5%3,5. Já o nível de fibra é muito variado pois depende do substrato utilizado3. O teor de cinzas varia de 7,9 a 34%3,5. Em amostras de cama de frango na da região de Londrina-PR, foi encontrado em média, 2% de nitrogênio, 1,36% de fósforo, 2,34% de potássio, 2,33% de cálcio, 0,62% de magnésio e 046% de enxofre7. Observa-se que os teores de vitamina A e D são muito baixos e vitaminas do complexo B, em particular a B12 (oriunda das fermentações bacterianas) encontram-se em níveis elevados em relação ao teor relativo de vitaminas e minerais3. Estão ainda presentes na cama de frango, fatores não identificados de crescimento3. As camas de frango possuem, em geral, 2440 kcal de energia digestível3.


Preparo

O preparo da cama de frango obedece a dois processos distintos3:

a. desidratação: após retirada das aves, a cama sofre uma ventilação natural, com objetivo de diminuir a umidade, sendo triturada em seguida por um moinho-martelo, podendo então ser utilizada na alimentação animal3.

b. fermentação aeróbica: a cama é retirada das instalações e amontoada em pilhas de forma crônica, em local abrigado, por cerca de duas semanas, com o objetivo de ocorrer a eliminação da amônia e as altas temperaturas alcançadas reduzirem a população bacteriana3,8, sendo a umidade ideal para fermentação de 12 a 25%8.

c. aquecimento a seco: efeito semelhante a desidratação natural, com a vantagem de eliminação mais rápida de água e maior concentração de matéria seca3.


Utilização na Alimentação Animal

A cama de frango pode ser utilizado na alimentação de aves2,3 e grandes animais, em particular, ruminantes2,3,4,5,8,9.

Na alimentação de aves, a cama de frango, após tratamento adequado, pode ser utilizada em ração para frangos de corte, considerando que, além de nitrogênio não protéico, este material contém parcela de proteína verdadeira3. Possui também fatores não conhecidos de crescimento e seu conteúdo em microorganismos converte parte do ácido úrico existente no próprio esterco em proteína microbiana, que pode ser utilizada pela ave3.

O interesse pelo emprego da cama de frango na alimentação de ruminantes surgiu quando Belascos, em 1974, citado por Pereira (1986), mostrou que, entre as várias fontes de nitrogênio não-protéico presentes na cama, estava incluído o ácido úrico, uma das formas de nitrogênio eliminadas nos excrementos das aves e utilizadas por microrganismos ruminais para síntese de proteínas10. A degradação do ácido úrico pela flora ruminal é completa e fornece, como produtos finais, amônia, gás carbônico e ácido acético. O ácido úrico é utilizado de forma mais lenta que a uréia, pelos microrganismos do rúmen, o que resulta em utilização mais eficiente do nitrogênio pelos ruminantes10.

A utilização desta fonte para bovinos está diretamente relacionada ao baixo custo de aquisição3,8.

Muitos estudos citados na literatura mostram a viabilidade econômica da utilização da cama de frango na alimentação de pequenos e grandes ruminantes, que apresenta boa aceitabilidade pelos animais e normalmente é fornecida como substituto principalmente dos farelos de soja e de algodão2,3,4,5,6,9,10. Os termos médios de cama de frango utilizado variam de 10 a 30%3,10 a até 40 a 60%4, conforme a fase da vida e finalidade de produção, sendo necessário a suplementação de vitamina A3,5,10.


Preocupações

Deve-se selecionar o material a ser utilizado na cama, retirar carcaça de aves periodicamente, controlar tempo de acumulação e umidade e reduzir potencial de contaminação com materiais inertes8.
Supõe-se haver níveis residuais de produtos tóxicos como alguns metais pesados, resíduos de drogas e medicamentos, utilizados na alimentação avícola e para evitar proliferação de insetos no esterco da cama de frango2,3,6,10.

Apesar de não ter sido relatado ocorrência de doenças ou efeitos prejudiciais à saúde dos bovinos alimentados com cama de frango, informa-se que6:

a. bovinos expostos ao contato com aves tuberculosas podem reagir positivamente ao “teste de tuberculina”, sem apresentar qualquer sintoma ou lesão de tuberculose6, sendo o Mycobacterium avium transmissível aos ruminantes6,12.

b. as toxinas do mofo encontradas normalmente nas camas de frango podem causar sérios problemas aos animais6.

Alguns trabalhos citaram que bovinos alimentados com cama de frango proveniente de frangos de corte apresentam acúmulo de arsênico no fígado, embora seja em níveis muito abaixo dos normalmente aceitáveis e citam também intoxicação por cobre em ovinos3.

É de se supor ainda a presença de salmonelas e coliformes na cama de frango, porém estudos demonstram que se devidamente tratadas, a cama de frango é praticamente livre de resíduos indesejáveis3,6,10, além de somente a Salmonella typhimurium tipo B poder ser transmitida da ave para o bovino6.


Proibição

O veto à cama de frango como alternativa de alimentação para bovinos decorre da constatação de que a presença de proteína animal na ração tem sido o principal vetor de disseminação do mal da vaca louca pelo mundo. Embora, desde 1996, esteja proibido o uso de proteína animal nas rações para ruminantes, o mesmo não ocorre com as rações para suínos e frangos, o que tornaria os resíduos de ambas as atividades impróprios para o arraçoamento de bovinos13.


Conclusão

Apesar de economicamente interessante, a cama de frango não deve ser utilizada na alimentação animal para atendermos as normas de biosseguridade dos paises importadores da carne brasileira.


Bibliografia

  1. PAGANINI, Fabio José. Manejo da Cama. In: MENDES, Ariel Antonio, NÄÄS, Irenilza de Alencar, MACARI, Marcos (ed.). Produção de Frangos de Corte. Campinas: FACTA, 2004. Cap. 7.

  2. MORENG, Robert E., AVENS, John S. Ciência e Produção de Aves. Tradução de Nair Massako Katayma Ito. São Paulo: Roca, 1990. Cap. 6, p. 167-168.

  3. ANDRIGUETTO, José Milton et al. Nutrição Animal: As bases e os fundamentos da nutrição animal. Os alimentos. 4.ed.. São Paulo: Nobel, 1986. Vol. 1, cap. 2, p. 309-310.

  4. TEIXEIRA, Antônio Soares. Curso de Especialização por Tutoria a Distância. Módulo 4: Alimentos e Alimentação. Lavras: ESAL, 1991. Cap. 8, p. 93.

  5. JARDIM, Walter Ramos. Alimentos e Alimentação do Gado Bovino. São Paulo: Agronômica Seres, 1976. Cap. VII, p. 82-83.

  6. ROSTON, Adibe Jorge. Subsídios para alimentação suplementar de bovinos. Campinas: Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, 1992. Cap. 2, p. 28-29.

  7. CARNEIRO, Sérgio Luiz; ULBRICH, Antônio Carlos; FALKOWSKI, Tomás et al. Frango de Corte. Integração Produtor/ Indústria: Uma renda bimensal estável e a produção de composto orgânico na propriedade. REDES EMATER-PR, Agosto, 2004. Disponível em: . Acesso em: 26 mai 2005.

  8. THIAGO, Luiz Roberto Lopes de S.; SILVA, José Marques da. Suplementação de Bovinos em Pastejo. Circular Técnica 27. Campo Grande: EMBRAPA, 2001. Cap. 3. Disponível em: . Acesso em: 23 mai 2005.

  9. PEREIRA, José Carlos, SILVA, Paulo Roberto de Carvalho e, CECON, Paulo Roberto et al. Cama de frango e suplemento à base de microbiota ruminal em dietas de novilhas leiteiras: desempenho produtivo e avaliação econômica. R. Bras. Zootec., maio/jun. 2003, vol.32, no.3, p.653-662.

  10. OLIVEIRA, Rodrigo Vidal, LANA, Rogério de Paula, MALDONADO, Fabiana et al. Consumo, digestibilidade aparente de nutrientes e disponibilidade de minerais em ovinos, em função de diferentes níveis de cama de frango na dieta. R. Bras. Zootec., Julho/Ago. 2004, vol.33, n.4, p.1060-1070.

  11. RELATÓRIO ANUAL 2004/2005. Brasil: União Brasileira de Avicultura.

  12. AIELLO, S. E. (Ed.). Infecções Generalizadas In: Manual Merk de Veterinária. 8ª ed. São Paulo: Roca, 2001.

  13. Proibido uso da cama de frango. Avicultura Industrial, 03 mar 2004. Disponível em < http://www.aviculturaindustrial.com.br/site/dinamica.asp?id=8069&tipo_tabela=cet&categoria=manejo>. Acesso em: 30 mai. 05.



Autor: Fernando Augusto de Araújo, Pedro Nacib Jorge Neto, Marcos Antonio Gama Sundfeld.

Data de publicação: 07/06/2007

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DISCUSSÃO SOBRE ESTE ASSUNTO.

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 01/11/2007  
Juan Herrera Mast
Zootecnista/inpa
Amazonas - Brasil
É satisfatório saber que ainda tem pessoas que pensam nas diversas possibilidades da alimentação alternativa dos ruminantes, onde se inclui a cama de aves. Entre outras características a serem informadas encontra-se que esse material recebe ~50% da ração que não foi convertida pelas aves (CA=2:1). Ademais, cabe salientar que, com poucas exceções, as fontes protéicas utilizadas nas rações para aves é maioritariamente a soja, que não possui nenhuma restrição para ruminantes.
Cabe salientar que no Brasil, já antes das preocupações com a vaca louca, se tinha certa cautela encima da cama de aviários pelo perigo eminente que seriam as carcaças de aves mortas ou ratos dentro da cama, como potenciais causadores de clostridiose nos animais. Isto seguramente poderia ser evitado fazendo-se a seleção e peneramento do material, assim como o processo de pasteurização do mesmo por meio do seu próprio aquecimento. O processo de pasteurização pode ser realizado pela fermentação anaeróbica da cama do mesmo jeito que se faz com a silagem, preferindo-se o uso de piso de cimento e paredes para garantir maior inocuidade do material após o processo. A lona, ao mesmo que na silagem deve ser resistente, recomendando-se espessura 150microns. O tempo de fermantação poderia variar de 15 a 20 dias.
Entre as desvantagens que posso observar é que com a combustão alguns nutrientes são consumidos e outros desnaturalizados, mas também outros seriam melhor digeridos, podendo-se eliminar até algumas substâncias antinutricionais. Cabe realizar pesquisas, primeiro sobre a garantia sanitária da cama, depois, sobre seu potencial na alimentação de ruminantes.
 02/03/2008  
Fernando Ferolla
Zootechnist
Rio de Janeiro - Brasil
Avaliações desta natureza caem na redundancia É proibido, enquanto que paleativo que tentem justificar o seu aproveitamento como este do tratamento térmico não resolvem a pior questão que é o botulismo (a toxina é termo resistente). Na verdade agregar mais custos neste material com peneiramento, seleção e o uso de muita energia para processa-lo (moinho, quanto mais fino maior o gasto energético), só compromete o seu mais nobre uso para as condições brasileiras que é o uso como fonte de adubo orgânico que apesar de incorporar pouca MO, mas é ótima fonte de nutrientes. O uso de materiais mais recalcitrantes como material absorvente nas camas de aviário permitem que após a compostagem grande quantidade de humina pode ser adicionada ao solo. Este estudos da dinâmica deste material nos mais variados tipos de material absorvente.
ENGORPART GDC 20080724
 
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