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Bioquímica sanguínea em suínos alimentados com cana-de-açúcar integral

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Autor: Mariana Duran Cordeiro; Ana Paula Delgado Da Costa; Rita Da Trindade Ribeiro Nobre Soares; Rony Antonio Ferreira, José Brandão Fonseca


O metabolismo protéico dos animais pode ser avaliado pelas concentrações sanguíneas de proteínas totais, albumina, globulina, hemoglobina e uréia. Já  o metabolismo energético, normalmente é avaliado pelas concentrações de glicose sanguínea1.

O organismo animal pode armazenar glicogênio e gordura, mas tem pouca capacidade para estocar proteínas de reserva. Em geral, o consumo de proteínas além das necessidades diárias, resulta na formação de uréia excessiva, ácido úrico ou íon amônio, acompanhada pela conversão do esqueleto de carbono da maioria doa aminoácidos em carboidratos, lipídeos ou em CO2 para geração de ATP2.

A glicose é o produto da digestão dos carboidratos e é o combustível básico durante os períodos de nutrição adequada em monogástricos onívoros como os suínos. A glicose absorvida no intestino é captada pelo fígado. Sob influência da insulina, é desviada para a síntese de glicogênio, sendo o glicogênio produzido armazenado no fígado, evitando altas concentrações no sangue3. A potencialidade dos alimentos fibrosos na alimentação de suínos precisa ser explorada, uma vez que o conteúdo existente vai variar de acordo com o alimento em questão4.

Do ponto de vista econômico e do bem-estar animal, a utilização da fibra na alimentação de suínos é conveniente5. Porém , em quantidades excessivas, pode promover mudanças na taxa de absorção de diferentes nutrientes, especialmente proteína, aminoácidos e minerais, e/ou na excreção de nitrogênio endógeno6.

A diluição do nível de energia em uma dieta com fibra para suínos na fase de crescimento pode resultar em maior ingestão de alimento para compensar o déficit energético, não ocorrendo porém, quando a fibra excede um alto nível ou a energia está abaixo do limite compensável7.

Com o objetivo de avaliar possíveis alterações nas concentrações séricas de glicose e uréia em suínos alimentados com rações contendo cana-de-açúcar, o presente trabalho foi realizado.


MATERIAL E MÉTODOS


Foram utilizados 36 suínos mestiços (Large White x Landrace),  distribuídos em um delineamento experimental em blocos casualizados, composto por três tratamentos e seis blocos. Os tratamentos consistiram de T1= ração referência; T2= ração referência sendo substituída sua oferta em 15% por cana-de-açúcar; T3= ração referência sendo substituída sua oferta em 30% por cana-de-açúcar. Foram colhidas amostras de sangue em três épocas diferentes: uma semana após o início, na mudança de fase de crescimento para fase de terminação e uma semana antes do final da fase experimental, sempre no mesmo horário, uma hora após a alimentação dos animais. As amostras de sangue destinadas à análise da concentração de glicose sanguínea foram obtidas em tubo contendo fluoreto de sódio associado a EDTA, sendo estas centrifugadas (3500 rpm/5 minutos) trinta minutos após a colheita. As destinadas à determinação de concentração sanguínea de uréia foram acondicionadas em tubos contendo heparina sódica, sendo posteriormente centrifugadas. Após a centrifugação, o plasma era separado sendo este acondicionado em tubos tipo eppendorf e submetidos a congelamento a – 20º.C para posterior análise laboratorial. Para quantificação da glicose e uréia foram utilizados kits enzimáticos Analisa, por meio da técnica de colorimetria.


RESULTADOS E DISCUSSÃO


Os resultados observados para as concentrações séricas de uréia e glicose encontram-se na tabela 1. Apesar de não terem sido notadas diferenças significativas (P>0,05) nas concentrações séricas de uréia nos tratamentos, os valores observados foram superiores às concentrações referências2, que podem variar de 8 a 24 mg/dl. Este fato pode estar relacionado ao aumento da ingestão diária de ração e, conseqüentemente, ao aumento da ingestão de proteína. Em geral, o consumo de proteínas além das necessidades diárias resulta em maior produção de uréia acompanhada pela conversão do esqueleto de carbono da maioria dos aminoácidos em carboidratos e lipídeos ou em gás carbônico para geração de ATP2. Quanto à glicose, o uso da cana-de-açúcar não implicou (P>0,05) aumento nas suas concentrações, estando todos os tratamentos com as concentrações dentro da faixa considerada referência (80-120 mg/dl)8 . Em concentrações elevadas, o pâncreas é diretamente afetado, por produzir um maior volume de insulina para desviar este excesso para síntese de glicogênio, armazenado no fígado, fato não observado, já que não ocorreu aumento no peso do órgão.

Tabela 1- Valores médios e níveis descritivos de probabilidade para o erro tipo I associados aos diferentes contrastes ortogonais e coeficientes de variação (CV) das concentrações séricas de uréia e glicose no sangue de suínos alimentados com cana-de-açúcar integral no período total de criação.

 

Níveis de cana (%)

Contraste1

Variáveis

0

15

30

Controle

Nível

CV (%)

Uréia (mg/dL)

37,42

34,58

27,25

0,1285

0,1367

24,07

Glicose (mg/dL)

100,66

91,33

101,33

0,3499

0,0757

9,11

1 Controle = tratamento controle x tratamentos com adição de cana-de-açúcar;
  Nível = comparação entre os níveis de adição de cana-de-açúcar

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. GONZALEZ, F.H.D. Arq. Fac. Vet. 25: 27-33, 1997.
  2. BEITZ, D.C. In: ______. Dukes – Fisiologia dos Animais Domésticos. Rio de Janeiro: Guanabara, 1996, p.430-446.
  3. HERDT, T. In: ______. Tratado de Fisiologia Veterinária. Rio de Janeiro:Guanabara, 1999, p.201-254.
  4. CORDEIRO, M.D. Cana-de-açúcar integral na alimentação de suínos em crescimento e terminação. Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, 74p. (Tese de Doutorado), 2005.
  5. ANDERSON, C.; LINDBERG, J.E. Anim. Sci.,65: 493-500, 1997.
  6. RODRIGUEZ, N.; BOUCOURT, R.; RIVERI, S.Pigs News Inform., 11: 436, 1990.
  7. BROUNS, F.; EDWARDS, S.A.; ENGLISH, P.R. Anim. Feed. Sci. Technol. 54: 301-313, 1995.
  8. BEITZ, D.C. In: ______. Dukes – Fisiologia dos Animais Domésticos. Rio de Janeiro: Guanabara, 1996, p.398-411.



Autor: Mariana Duran Cordeiro; Ana Paula Delgado Da Costa; Rita Da Trindade Ribeiro Nobre Soares; Rony Antonio Ferreira, José Brandão Fonseca

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