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Autor: Dra. Elisabeth Pichler - Romer Labs

Como as micotoxinas são invisíveis, inodoras e
insípidas, a única maneira de determinar se grãos
ou rações contêm estes compostos indesejáveis é
analisá-los. E ntretanto, embora haja excelentes
métodos analíticos à disposição, é difícil estimar
com exatidão e precisão a concentração de
micotoxinas em um lote grande a granel, por causa
da grande variabilidade associada ao procedimento
geral de teste de micotoxinas.
Testar micotoxinas é um processo complicado, que geralmente
consiste em três etapas: (1) várias amostras pequenas são
tomadas aleatoriamente do lote e dispostas em uma grande
“amostra de lote”; (2) toda a amostra de lote é triturada até
obter-se partículas finas, e remove-se uma subamostra, a
“amostra analítica”, para análise; e (3) as micotoxinas são
extraídas da amostra analítica e finalmente quantificadas.
As técnicas analíticas para detecção de micotoxinas tiveram
desenvolvimento constante, no passado. Contudo, mesmo
usando procedimentos de teste aceitos, há a variação associada
a cada uma das etapas mencionadas acima. Estudos de vários
cientistas demonstraram que a amostragem geralmente é a
maior fonte de variação associada ao procedimento de teste de
micotoxinas [1, 2, 4, 5, 6] Aproximadamente 90% dos erros
associados ao teste de aflatoxinas, por exemplo, podem ser
atribuídos à amostragem.
Como tempo e dinheiro têm sido gastos nas análises de
micotoxinas, o uso de tempo extra para uma amostragem
adequada é crucial para resultados reproduzíveis.
A amostragem deve ser monitorada e as técnicas adequadas
devem ser implementadas. Os procedimentos de amostragem
devem ser escritos, revisados e seguidos por todos os envolvidos.
A alta taxa de erros de amostragem nos testes para micotoxinas
deve-se a dois fatores principais: baixa concentração de
micotoxinas em um dado produto (o “problema de ppb”) e a
distribuição irregular no lote.
O problema de ppb
Apesar dos níveis extremamente altos de micotoxinas em
algumas sementes, a concentração geral de micotoxinas em
um lote de grãos é geralmente muito baixa. A unidade de
medida é normalmente “partes por bilhão” (ppb). Para ilustrar
o significado destes níveis baixos, alguns exemplos são
apresentados na tabela 1. [3] Lembre-se sempre: as micotoxinas
afetam a saúde humana e animal, mesmo a estas concentrações
baixas!
Tab. 1: O que é 1 ppb?
1 ppb é…
• 1 parte em 1.000.000.000
• 1 segundo em 32 anos
• 1 grão de areia em 22 kg
• 1 pé de milho em 40.000 acres de milho
• 1 semente de milho em 3,5 vagões de trem |
Distribuição irregular
Ao contrário das proteínas ou do teor de umidade em milho
ou trigo, as micotoxinas não ocorrem em todas as sementes.
Em casos extremos, as micotoxinas podem estar presentes
apenas em algumas espigas ou hastes de um campo inteiro. Isto
significa que algumas sementes podem conter níveis altos de
toxinas, enquanto outras não contêm absolutamente nenhuma
toxina.
Isto se deve ao fato de que os fungos não crescem
uniformemente em um campo ou silo de grãos. Assim,
as micotoxinas tendem a se concentrar em certos pontos,
chamados “pontos ativos” (hot spots) ou “pepitas” (nuggets),
sendo que o restante do lote fica livre de toxinas (Fig.1).
Contudo, quanto maior a extensão da contaminação, maior a
probabilidade de uma distribuição mais uniforme. Ao contrário,
quando a concentração geral de uma toxina em um lote de grãos
é baixa, a distribuição irregular é acentuada [3].

Fig. 1: Distribuição irregular. Os círculos marrons indicam os
“pontos ativos”.
Cuidado com “falsos negativos” e
“falsos positivos”
Análise correta significa determinar a contaminação média do
lote como um todo. Se não forem seguidos os procedimentos
de amostragem apropriados, é provável que os resultados
analíticos subestimem a concentração real de micotoxinas (ou
seja, apenas as áreas não contaminadas ou menos contaminadas
são amostradas) ou a superestimem (ou seja, as amostras são
tomadas de pontos ativos).
Os resultados falsos negativos são muito comuns nos testes
para micotoxinas, em grande parte devido à inadequação
da amostragem e de sua preparação. Quando são tomadas
muito poucas amostras incrementais ou a amostra total do
lote é pequena demais, é muito mais comum “errar” uma das
sementes contaminadas que “acertá-la”. Este tipo de resultado
é também muito comum quando toda a amostra examinada é
dividida antes da trituração. O número de falsos negativos pode
variar de 5%, que é o normal, até aproximadamente 90%!
Por outro lado, falsos positivos refletem uma resposta mais alta
que a representativa. Este tipo de resultado não é tão comum
quanto o falso negativo.
Contudo, tanto o falso negativo quanto o falso positivo são
prejudiciais, já que causam perdas financeiras consideráveis
(tabela 2).
Tab. 2: Conseqüências dos falsos negativos e dos falsos positivos.
Falsos negativos...
• O s custos para teste de micotoxinas são
desperdiçados.
• E xistem custos adicionais de transporte, quando
o processador dos grãos posteriormente encontra contaminação por micotoxinas, rejeita a carga e a
devolve ao vendedor.
• O vendedor perde credibilidade e confiança.
• P odem se seguir processos onerosos, se um
produto é processado e efeitos prejudiciais à saúde
resultam do consumo do alimento ou da ração.
Falsos positivos...
• Grãos bons são vendidos a preços mais baixos.
• A mistura ou o tratamento de grãos bons gera
custos desnecessários.
• Resultados imprecisos refletem mal no programa
geral de testes e desencorajam possíveis
vendedores de grãos a oferecer grãos para compra. |
A amostragem cuidadosa é decisiva
para resultados analíticos corretos
A amostragem é definida como o processo de retirada de uma
quantidade adequada de um lote grande, para teste, de modo que
a proporção e a distribuição dos fatores em teste sejam as mesmas
tanto no total (lote) quanto na parte retirada (amostra).
A importância de uma amostragem adequada se torna clara
quando percebemos, por exemplo, que a maior parte dos vagões
contêm de 55 a 80 toneladas, e caminhões aproximadamente 20
toneladas de milho e analisamos, essencialmente, apenas 50 g de
amostra triturada, que deve representar todo o lote.
Para assegurar que a amostra de teste seja representativa, devem ser usadas técnicas de amostragem apropriadas. Uma amostra da
camada exposta de grãos em um vagão ou caminhão graneleiro,
ou uma amostra de “caçamba” de quando o caminhão ou vagão é
descarregado NÃO são representativas do lote como um todo e,
portanto, não devem ser usadas. As pessoas que coletam os grãos
também podem influenciar o modo como a amostra representa o
lote de grãos, tomando amostras de apenas uma parte do vapor
dos grãos. Por este motivo, a amostragem com concha ou com as
mãos não é permitida para inspeções oficiais.
A distribuição dos componentes, como sementes quebradas ou
material estranho, normalmente não é uniforme em toda a carga.
Como os grãos são carregados em um container (caminhão, vagão
ou armazém), os componentes dos grãos se separam segundo seu
tamanho, densidade e forma.
Durante a carga, as partículas finas tendem a se concentrar na área
próxima ao centro e os materiais de tamanho maior migram para
fora do container de armazenamento. No descarregamento, ocorre
uma separação inversa. Isto explica porque o número de amostras
incrementais e o padrão adequado de amostragem são cruciais
para garantir que a amostra seja realmente representativa do lote.
A importância de um tamanho adequado de amostra para a
precisão do resultado analítico é demonstrada no estudo a seguir
(tabela 3). As amostras foram tomadas de um caminhão contendo
milho contaminado por 20 ppb de aflatoxina. Tomando-se uma
amostra pequena demais, as toxinas são completamente ignoradas
ou encontradas em níveis muito mais baixos que os realmente
presentes. [3]
Tab. 3: Variabilidade dos resultados de teste em relação ao
tamanho da amostra (estudo da Romer Labs®)
| Tamanho da
amostra [kg] |
Número aprox. de
sementes |
Intervalo1 de resultados
analíticos [ppb] |
| 4.5 |
30 000 |
11.6 – 28.4 |
| 2.2 |
15 000 |
8.1 – 31.9 |
| 1.1 |
7 500 |
3.2 – 38.8 |
| 0.4 |
3 000 |
0 – 46.9 |
| 1 no intervalo de confiança de 95% |
Para uma amostra ser considerada
representativa, ela deve ser:
• obtida com equipamentos adequados, como uma sonda
para grãos estacionários ou um amostrador mecânico
desviador ou amostrador tipo “pelicano”, para grãos
em movimento.
• obtida usando-se um padrão e procedimentos de
amostragem projetados para coletar amostras de todas
as áreas do lote (vide figura 2).
• de tamanho apropriado, o que depende do tamanho
do lote e do produto. P or exemplo, devem ser tomadas
amostras de 2,5 a 5 kg de milho e de 1,5 a 2,5 kg de
trigo ou cevada de um caminhão ou vagão de grãos.
• devidamente identificada e rotulada no saco.
• manuseada de modo a manter a representatividade.
Isto significa que as amostras devem ser armazenadas
em local fresco e seco e entregues em sacos de papel
de revestimento duplo ou triplo ou sacos de tecido que
permitam respiração. N unca despache amostras em
sacos plásticos, já que podem promover o crescimento
de bolor se o nível de umidade da amostra exceder 14%.

Fig. 2: Modelo de amostragem. Os círculos vermelhos
indicam pontos que devem ser amostrados; as marcas
verdes indicam pontos opcionais de amostragem, em caso
de lotes muito grandes. As amostras incrementais devem
ser trituradas e misturadas perfeitamente. Uma subamostra
de aproximadamente 2 kg deve então ser enviada para o
laboratório, para análise.
Dicionário:
• amostra de lote:
várias amostras pequenas (= amostras incrementais)
tomadas aleatoriamente do lote
• amostra analítica:
amostra para análise tomada da amostra de lote triturada
• amostragem aleatória:
cada um dos itens do lote deve ter uma chance igual de
ser escolhido
• replicabilidade:
o mesmo resultado deve ser atingido repetidamente,
quando um lote específico é analisado várias vezes |
Amostragem de ração misturada
Quando rações misturadas são amostradas para análise de
micotoxinas, são possíveis duas situações:
1. As micotoxinas estavam presentes em um ou mais dos
ingredientes da ração, quando a ração é misturada: as
micotoxinas são distribuídas de forma mais uniforme na ração
que quando estava no ingrediente contaminado, porque o
ingrediente foi grosseiramente triturado e misturado à ração.
Uma amostra de 1 kg de ração é suficiente para fornecer uma
amostra representativa.
2. As micotoxinas foram produzidas na ração após sua
mistura, devido a más condições de armazenamento
(14% de umidade ou mais): as micotoxinas são geralmente
distribuídas de maneira menos uniforme. A ração embolora
primeiro nas áreas úmidas do recipiente de armazenamento, e o
bolor migra lentamente para as áreas menos úmidas, conforme
cresce. Uma boa maneira de amostrar a ração, neste caso, é
tomar uma amostra de pelo menos 1 kg das áreas úmidas do
recipiente (geralmente as bordas externas e os cantos) e uma
amostra de 1 kg do centro.
Contudo, para ter certeza absoluta, pressuponha sempre uma
distribuição não uniforme!
Com quem falar sobre dúvidas relacionadas a colunas de
limpeza e serviços analíticos:
Nome: Dra. Elisabeth Pichler
Cargo: Gerente de Produtos
Formação: Universidade Técnica de Viena, especialização em Química Analítica e
Físico-Química
Tese de doutorado: Estudo da degradação microbiana da micotoxina ocratoxina A através
de técnicas cromatográficas otimizadas como contribuição para o
desenvolvimento de agentes desintoxicantes para componentes de ração.
(Centro para Química Analítica, IFA-Tulln)
2001 - 2003: Gerente de análise em P&D, Biomin, Áustria
Desde out/2003: Gerente de produtos (colunas de limpeza)
Literatura:
Coker RD, N agler M J, Blunden
G, Sharkey AJ, Defize PR, Derksen
GB, and Whitaker TB (1995). Design
of sampling plans for mycotoxins in
food and feeds. N atural Toxins, 3,
257-262.
P ark D L, Rua SM, Paulson JH,
Harder D and Young AK (1991).
Sample collection and sample
preparation techniques for aflatoxin
determination in whole cottonseed. J
Assoc O ff Anal Chem Intl, 74, 73-75.
Richard J (2000). Sampling and
Sample Preparation for M ycotoxin
Analysis. RomerTM Labs’ Guide to
Mycotoxins, 2.
S chatzki TF (1995). Distribution
of aflatoxin in pistachios. J Agric Food
Chem, 1566-1569.
Whitaker TB , Dowell FE, Hagler
WM, Giesbrecht FG, and Wu J (1994).
Variability associated with sampling,
sample preparation and chemical
testing of farmers’ stock peanuts. J
Assoc O ff Anal Chem Intl, 77, 107-116.
Whitaker TB (2003).
Standardisation of mycotoxin
sampling procedures: an urgent
necessity. Food Control, 14, 233-237.
Autor: Dra. Elisabeth Pichler - Romer Labs
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