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Autor: Alltech do Brasil
Data de publicação: 20/04/2006
Introdução
A carne suína é provavelmente a mais versátil das carnes,
se comparada ao frango, carne bovina ou cordeiro. Através do uso de
técnicas modernas de processamento, a carne suína pode ser transformada
em uma série de produtos de qualidade, tais como cortes in natura,
costelinhas, presuntos especiais, bacon, lingüiças e diversos tipos
de embutidos. O desenvolvimento e a comercialização de novos
produtos de carne suína está se tornando uma atividade altamente
competitiva devido à globalização da suinocultura e à homogeneização
dos mercados. Os consumidores tornam-se cada vez mais exigentes quanto ao que
consomem, considerando não somente o bem estar dos animais, mas também
a qualidade das dietas, os nutrientes contidos no produto e suas vantagens
em relação a fontes alternativas de proteínas.
O consumo per capita de carne na União Européia e nos Estados
Unidos é de 44 kg e 30 kg, respectivamente, sendo a carne suína
a de maior consumo. A projeção futura para a UE é de 45
kg/pessoa (Tabela 1) e este valor tende a se manter constante no período
de 10 anos (Pig Progress, 2001).
Para que a carne suína continue sendo competitiva nos mercados domésticos
e internacionais de proteína animal, deve demonstrar atributos inquestionáveis
de segurança, qualidade, conveniência, garantia da saúde
e preço. Dados recentes compilados por um importante varejista britânico
(Figura 1) demonstram claramente que a carne suína não está conseguindo
atrair o consumidor moderno (Smith, 2003). Embora esta possa ser uma situação
específica do mercado do Reino Unido, deve ser considerada como um alerta
e desencadear medidas reativas. Para que a imagem da carne suína possa
ser continuamente melhorada e o consumo seja estimulado, varejistas, processadores
e produtores devem se unir para transmitir confiança ao consumidor e
criar um apelo de consumo, aproveitando a crescente demanda do público
por dietas variadas contendo alimentos cada vez mais seguros e saudáveis.
Tabela 1. Projeção de consumo per capita de carne suína
na UE, 1999-2008.
| |
1999 |
2000 |
2001 |
2002 |
2003 |
2004 |
2005 |
2006 |
2007 |
2008 |
| Consumo, kg/pessoa |
44,4 |
43,4 |
44,2 |
44,7 |
44,9 |
44,7 |
45,2 |
45,8 |
45,8 |
46,1 |
Devemos ter como prioridade o fornecimento de produtos inovadores e interessantes
para o consumidor, que possam oferecer qualidade consistente e atender a necessidade
crescente de uma dieta saudável adequada ao estilo de vida moderno.
A empresa do futuro deve criar valor em um ambiente em constante mutação,
ser flexível e antecipar as rápidas mudanças do mercado.
Desta forma, é extremamente importante desenvolver uma cadeia de produção
de suínos totalmente fundamentada em conhecimentos científicos
comprovados, em que o networking permita capitalizar benefícios sinérgicos
de desenvolvimento mútuo através de trocas de informações,
associações e colaboração.
A necessidade de identificar uma maneira positiva de promover e reposicionar
a carne suína como um produto saudável, saboroso e nutritivo é de
extrema importância e foi considerada no desenvolvimento do Vitapork®,
carne suína comercializada no Reino Unido contendo elevados teores de ácidos
graxos essenciais polinsaturados como DHA ômega-3 e os principais antioxidantes
(selênio e vitamina E). Acredita-se que este produto apresente todas
as características necessárias e benefícios para satisfazer
a demanda do consumidor por alimentos funcionais, saudáveis e nutritivos. É uma
abordagem inovadora para aumentar o valor nutricional e o efeito de promoção
da saúde da carne suína.
Figura 1. Perfil do consumidor de carne suína (Smith, 2003).

Comportamento do consumidor
Carne e produtos cárneos são componentes importantes da dieta
de países desenvolvidos e seu consumo depende de uma série de
fatores tais como tempo de preparo, conveniência de cozimento e satisfação
final. Houve uma mudança no padrão de consumo nos últimos
anos, com preferência por produtos processados, em substituição
aos produtos in natura. As necessidades dos consumidores estão
em constante mudança e certamente novos padrões surgirão à medida
que a renda disponível para produtos de maior conveniência aumente.
O consumidor já dispõe de uma grande escolha de produtos e deve
adaptar o tipo de alimento ao seu estilo de vida. É preciso avaliar
e entender como a apresentação do produto pode melhor responder
a estas novas tendências. Nos próximos 10-20 anos, uma crescente
parcela da população terá mais de 45 anos de idade, e
este grupo de consumidores terá maior influência sobre o consumo
de carne suína que as gerações mais jovens. As tradições
e hábitos do consumidor serão adaptados ao estilo de vida. Hoje
em dia, é menos freqüente a oportunidade de reunião das
famílias durante a refeição e as pessoas desejam produtos
de fácil consumo e maior conveniência, assim como produtos tipo fast
food para consumo fora de casa.
Nos últimos 50 anos, houve uma redução significativa
no consumo de gorduras polinsaturadas contendo ácidos graxos ômega-3
(n-3), principalmente devido às mudanças nos hábitos de
consumo e no tipo de alimento consumido. Os alimentos que contêm altos
níveis de gorduras DHA ômega-3 tais como ovos, miúdos e
peixes gordurosos foram praticamente eliminados das dietas modernas. Especialistas
em nutrição e organizações como a Foods Standards
Agency do Reino Unido têm buscado promover ativamente um maior consumo
diário de gorduras polinsaturadas contendo ômega-3.
Ácidos graxos ômega-3
Os ácidos graxos são os componentes estruturais de todos os
lipídios. Desde o início da década de 30, sabe-se que
os ácidos graxos podem ser não essenciais - quando não
há necessidade absoluta de que estejam presentes na dieta - ou essenciais,
que devem ser fornecidos através da dieta. Os ácidos graxos atuam
como componentes estruturais de todas as células e são de extrema
importância para o metabolismo celular, especialmente os considerados
essenciais. Desde sua descoberta, novos papéis são identificados
todos os anos, desde a atuação no metabolismo basal até a
manutenção da saúde e bem estar (BNF, 1992) (Tabela 2).
Os ácidos graxos essenciais podem ser divididos em dois grupos: o grupo
n-6, baseado no ácido linoléico (AL) e seus derivados de cadeia
mais longa e mais insaturados; e o grupo n-3, baseado no ácido a-linolênico
(ALN) e seus derivados. Até recentemente, o equilíbrio de ingestão
destacava o grupo de polinsaturados n-6 e seu papel de promoção
da saúde era enfatizado. Havia um grande desequilíbrio do grupo
n-3, principalmente devido ao consumo de óleos e margarinas. O grau
de consumo de polinsaturados n-6 era tal que até havia a possibilidade
de ocorrerem efeitos adversos sobre a saúde. Porém, pesquisas
começaram a demonstrar o envolvimento dos polinsaturados n-3 em uma
série de aspectos relacionados à saúde e prevenção
de doenças (BNF, 1992). O resultado foi a promoção de
uma estratégia nutricional mais balanceada em relação
aos dois grupos de gorduras polinsaturadas. Sabe-se agora que ambos os grupos
desempenham papéis metabólicos importantes e estão igualmente
envolvidos na promoção da saúde. Atualmente, a relação
de ingestão de ácidos graxos polinsaturados:saturados (P:S) não
deve ser mais utilizada como medida da aceitabilidade da dieta. Os níveis
de ácidos graxos n-6 e n-3 devem ser considerados isoladamente ou através
da relação n-6 total:n-3 total, ou mesmo a relação
AL:ALN (BNF, 1992; Bruckner, 1992). Além disso, deve-se promover maior
consumo de ácidos n-3 para que a relação n-6:n-3 seja
de 6:1. O principal ácido graxo da série ômega-3, que atualmente é considerado
o mais importante para o organismo, é o ácido docosahexaenóico
(DHA).
Tabela 2. Descrição e papéis dos ácidos
graxos polinsaturados ômega-3.
- Os grupos de ácidos graxos ômega-3 e ômega-6
são nutrientes essenciais.
- Ácido a-linolênico é o primeiro ácido
graxo do grupo ômega-3 e atua como precursor para a síntese
de DHA, mas a eficiência de formação de DHA é de
apenas 5%.
- DHA é um ácido graxo polinsaturado de cadeia longa, sendo
o ácido graxo ômega-3 mais importante.
- DHA é um
importante componente do tecido nervoso e da retina, sendo necessário
para o desenvolvimento e manutenção da estrutura
e função cerebral.
- DHA é um importante componente da retina, principalmente em bebês
e idosos, mas atua preservando a visão durante toda a vida.
- Mulheres
gestantes, recém-nascidos, crianças e adolescentes
até 18 anos de idade e idosos são os principais beneficiados pela
suplementação da dieta com DHA.
- Devido às mudanças ocorridas nos hábitos alimentares,
a ingestão média de DHA na União Européia não
ultrapassa 75 mg/dia.
- A recomendação atual é de um consumo diário
de 200-400 mg de DHA.
Necessidades de antioxidantes: selênio e vitamina
E
Os ácidos graxos insaturados são especialmente suscetíveis à oxidação.
Esta, por sua vez, ocorre em maior grau em moléculas altamente insaturadas
como o DHA, através de uma série de processos oxidativos. A oxidação
resulta da ação de radicais livres de oxigênio, formados
naturalmente e acumulados em células vivas ou mortas, sobre os lipídios
altamente insaturados da membrana e do conteúdo celular (Burton, 1994).
A degradação pode ser acelerada pela manipulação
da carcaça após o abate, que facilita a interação
entre fatores pró-oxidativos e as gorduras insaturadas. Os metabólitos
oxidados representam um potencial citotóxico e reduzem a aceitabilidade
do produto pela formação de odores, rancidez e compostos secundários.
No entanto, as células dispõem de uma série de mecanismos
naturais de defesa contra a formação de radicais livres e danos
oxidativos aos lipídios (Frust, 1996). Estes consistem de sistemas enzimáticos
que eliminam os radicais livres, e também de uma seleção
de vitaminas e produtos de síntese, tanto lipo quanto hidrossolúveis,
capazes de deter os processos oxidativos que resultam em acúmulo de
radicais livres. Entre as enzimas, as mais importantes são a superóxido
dismutase, catalase e glutationa peroxidase. Entre as vitaminas, as mais importantes
são as vitaminas A, C e E. Os processos oxidativos também são
influenciados por diversos íons metálicos multivalentes pró-antioxidantes
e antioxidantes, tais como ferro, cobre, selênio e zinco. O interesse
em enriquecer produtos de origem animal destinados a consumo humano com compostos
polinsaturados despertou interesse especial em nutrientes com ação
antioxidante, principalmente o selênio e o a-tocoferol (vitamina E),
capazes de retardar a degradação oxidativa dos tecidos (MacPherson,
1994).
O maior benefício do selênio resulta de sua ação como
cofator de um sistema enzimático antioxidante, evitando a ocorrência
de danos oxidativos às células. O selênio desempenha um importante
papel na defesa antioxidante do organismo, pois é parte integrante da
enzima glutationa peroxidase e de outras selenoenzimas antioxidantes. A disponibilidade
e o grau de utilização do selênio da dieta depende da forma
na qual este mineral é fornecido. O selênio pode ser fornecido na
forma de selenoaminoácidos naturais, mesma forma encontrada nas plantas,
ou na forma inorgânica como o selenito de sódio, normalmente adicionado
no premix mineral convencional.
A selenometionina é um selenoaminoácido natural que, quando
derivado de uma cepa específica de levedura, apresenta inúmeras
vantagens em relação ao selenito de sódio. O selênio
orgânico derivado de levedura apresenta maior biodisponibilidade e pode
ser armazenado nos tecidos, podendo ser rapidamente mobilizado durante épocas
de maior demanda. O selênio orgânico armazenado nos tecidos do
organismo formados por proteínas na forma de selenoaminoácidos é uma
oportunidade para que os consumidores de produtos de origem animal sejam beneficiados
através de uma maior ingestão de selênio.
A vitamina E é o principal antioxidante lipossolúvel das membranas
celulares, sendo armazenada no tecido adiposo, fígado e músculos.
A vitamina E neutraliza radicais livres e interrompe a cadeia de reações
oxidativas, atuando como um escudo protetor ao redor de cada célula
e reduzindo os danos aos tecidos. Esta ação benéfica de
retardar a oxidação faz com que a vitamina E seja um importante
fator de proteção para a melhora da qualidade da carne, seja
em produtos frescos, processados ou congelados. A vitamina E impede a rancificação
das gorduras, evitando a formação de odores e sabores desagradáveis.
O papel e a função da vitamina E é absolutamente essencial
quando se altera a composição de ácidos graxos da gordura
e do tecido magro. O aumento do teor de ácidos graxos polinsaturados
na dieta e, portanto, do número de duplas ligações na
gordura e na carne intensifica a suscetibilidade do produto ao ataque de radicais
livres. Para que haja um benefício real, os animais devem receber suplementação
de teores significativos de vitamina E na dieta, acima dos normalmente incluídos
nas dietas convencionais de produção. Dificilmente o mesmo efeito é obtido
com o tratamento da carne durante o processamento.
Conclusão
O segredo do sucesso da produção de alimentos é identificar
os critérios de qualidade exigidos pelo consumidor e buscar soluções
para atendê-los. A carne suína deve ser comercializada enfatizando
o uso de ingredientes naturais durante sua produção e o grande
benefício da rastreabilidade total dos produtos.
O consumidor deve ser educado para reconhecer o valor dos produtos diferenciados
e sentir-se seguro ao consumi-los. Reconquistar a imagem e restaurar a confiança
do consumidor exige esforços coordenados e uma visão compartilhada
por todos os participantes da cadeia de alimentos, incluindo fornecedores de
granjas, provedores de serviços, produtores, frigoríficos, varejistas
e governos. A informação deve fluir ao longo da cadeia em ambas
as direções, o que certamente promoverá maior eficiência
e agregará valor ao produto final.
Adaptado de Paul Penny. JSR Genetics Ltd, Southburn, Driffield, Reino Unido
Referências
British Nutrition Foundation. 1992. Unsaturated Fatty Acids: Nutritional and
Physiological Significance. Chapman and Hall, London.
Bruckner, G. 1992. In: Fatty Acids in Foods and their Health Implications.
(ed. C.K. Chow), Marcel Dekker, New York, 631-646.
Burton, G.W. 1994. Vitamin E: molecular and biological function. Proc. Nutr.
Soc. 53:251-262.
Emken, E.A., R.O. Aldof, R.M. Gulley. 1994. Dietary linoleic acid influences
desaturation and acylation of deuterium-labelled linoleic and linolenic acids
in young adult males. Biochim. Biophys. Acta 1213:277-288.
Autor: Alltech do Brasil
Data de publicação: 20/04/2006
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